Evaristo Sá/ AFP
Evaristo Sá/ AFP

Bolsonaro diz que recusaria convite para depor na CPI e chama Renan de 'pessoa desqualificada'

Em live, presidente afirmou que, no passado, comissões parlamentares de inquérito 'eram levadas com muita mais seriedade'

Camila Turtelli, Daniel Galvão e Matheus de Souza, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2021 | 20h41

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro disse que recusaria um convite para depor na CPI da Covid, caso recebesse um. “Eu não aceitaria ser convidado para CPI para Renan Calheiros (MDB-AL). Quer convocar? É o poder da CPI convocar. Agora, aceitar convite para ser inquirido por uma figura desqualificada como Renan Calheiros ou Otto [Alencar (PSD-BA)]? Ou Omar Aziz (PSD-AM), não tem realmente cabimento isso aí. CPI é coisa séria. No passado, CPIs eram levadas com muita mais seriedade. Pessoal acha que CPI vai derrubar um presidente, mas por quê? Estão apurando desvio de recurso? Não, né?”, afirmou Bolsonaro em sua live semanal com transmissão pela internet.

O presidente afirmou que a comissão estaria perdendo uma oportunidade de, segundo ele, de discutir o “tratamento imediato”, que consiste no uso de medicamentos com ineficácia cientificamente comprovada contra a covid-19, como é o caso da hidroxocloroquina. Bolsonaro também fez ataques aos integrantes da CPI. Ele chamou o relator da CPI, Renan Calheiros, de “recordista em inquérito no Supremo''. Sobre o presidente do colegiado, Aziz, o chamou de “PHD em desvio de recurso”. Já em relação ao vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), ele evitou citar o nome e disse apenas. “O outro lá. Aquela pessoa lá do Amapá”, disse.

“Aquela pessoa que é contra tratamento imediato e não dá outra alternativa é, no mínimo, um canalha, tá? Porque eu tomei aquele remédio. Não vou falar aqui para não cair a minha live, eu tomei aquele remédio. Senti mal há poucas semanas, tomei o meu remédio também, o mesmo remédio, no dia seguinte fiz o teste, por coincidência não estava infectado”, disse. Posteriormente, Bolsonaro afirmou ter feito o teste antes de viajar ao Equador no fim de maio.  

A promoção do tratamento precoce é um dos alvos da CPI da Covid, que tem o objetivo de investigar as ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia, além do repasse de recursos federais a Estados.

Enquanto o Brasil se aproxima do número de 470 mil mortes pela doença e sofre com o atraso de vacinas, Bolsonaro disse que não politizou a pandemia. “Vou pagar com a mesma moeda, o que que está comprovadamente científico você usar depois que você tiver falta de ar? Um tubo? Agora, mais cedo ou mais tarde, isso virá à tona, verão que milhares de pessoas poderiam estar entre nós, vivas, se o outro lado não politizasse isso. Eu não politizei isso, não politizei isso. Quem politizou foi o outro lado, quem diz para não tomar e não dá outra alternativa, são eles”, afirmou.

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