Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro diz que recebeu três convites para se filiar a partidos e não descarta volta ao PSL

Com dificuldades de tirar o seu Aliança pelo Brasil do papel, presidente afirma que não pode botar todas as fichas na criação da nova sigla

Julia Lindner, Gustavo Porto e Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2020 | 21h11

BRASÍLIA – Sem conseguir tirar o seu Aliança pelo Brasil do papel, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, em transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta-feira, 13, que recebeu três convites para se filiar a outros partidos, sendo um deles o PTB, presidido pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson, aliado do governo. Além dos convites que diz ter recebido, o presidente admitiu voltar a conversar com o PSL, pela qual ele se elegeu em 2018.

Em novembro do ano passado, Bolsonaro assinou a desfiliação do PSL, e desde então, vinha tentando conseguir assinaturas suficientes para protocolar a criação do Aliança junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Até o fim de julho, no entanto, seus apoiadores só haviam conseguido juntar 3% das mais de 490 mil assinaturas necessárias. “Eu não posso jogar as fichas no Aliança. Esperava que ia ficar pronto esse ano. Acho que vai ser difícil ficar pronto esse ano, mas não vamos desistir da ideia, não pretendemos desistir dessa ideia", afirmou. "É difícil formar um partido, não é impossível, mas é difícil. Uma burocracia enorme. A pandemia atrasou. Passa na ponta da linha pelo TSE e a gente sabe como é o comportamento de alguns ministros no tocante a novos partidos. Então eu não posso investir 100% no Aliança, o que pese o esforço de muita gente pelo Brasil. Eu tenho que olhar outros partidos."

Bolsonaro afirmou ainda que alguns integrantes do PSL teriam feito sinalização por uma reconciliação. “Apesar de ter saído (do PSL), tem 43 ou 44 parlamentares que conversam comigo”, apontou. "A gente bota as condições na mesa de reconciliar, eles botam de lá para cá também."

Como mostrou o Estadão, diante da incerteza da criação do Aliança, deputados do PSL entusiastas da nova sigla ensaiam um movimento de reaproximação com a legenda comandada pelo deputado federal Luciano Bivar (PE). A expectativa de dirigentes do PSL é que a reunificação comece a se consolidar ao longo das próximas semanas.

A cúpula da legenda que tem 53 deputados tem adotado o discurso de que não quer briga com ninguém e que deseja neutralizar o radicalismo das alas antagônicas: bolsonaristas e bivaristas. A reaproximação do governo Bolsonaro, no entanto, é vista com desconfiança por parte do parlamentares que durante o racha ficaram ao lado de Bivar.  

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