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'Queiroz era um cara sem problemas, nota 10', diz Bolsonaro sobre ex-assessor de Flávio

Presidente também afirmou que os depósitos de menos de R$ 2 mil encontrados na conta do assessor foram feitos porque esse é o limite permitido em caixas eletrônicos, e não para fugir do Coaf

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2019 | 11h09

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro disse que o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, já prestou depoimento por escrito e isentou o senador no suposto esquema de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). “Pelo que fiquei sabendo, (Queiroz) eximiu meu filho de culpa”, afirmou à imprensa na porta do Palácio do Alvorada, antes de seguir para o Regimento de Cavalaria da Polícia Militar do Distrito Federal, onde acompanha aula de montaria da filha.

As declarações do presidente foram dadas um dia após o ex-assessor de Flávio ser localizado pela revista Veja no hospital Albert Einstein, na capital paulista, onde realiza um tratamento contra um câncer no intestino. Apesar de não haver nenhuma ordem de prisão contra ele, Queiroz estava longe dos holofotes desde janeiro, o que tornou popular o bordão "cadê o Queiroz?" 

O presidente lembrou que conhece o ex-assessor desde 1984 e disse nunca ter tido problemas com ele. "Queiroz era um cara sem problemas, nota 10, mas não respondo por ele". Ele negou, ainda, que tenha feito contato recentemente com o ex-assessor. “Não sei de Queiroz. Quem responde por ele é ele, não sou eu. A Veja descobriu como se ele estivesse foragido”, disse. “Não existe telefonema meu para ele, nada, não sei onde ele está”.

O ex-assessor foi o protagonista da primeira crise do governo Bolsonaro quando, em 6 de dezembro de 2018, o Estado revelou que um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017 em uma conta no nome de Queiroz. À época Queiroz estava registrado como assessor parlamentar do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro.

Trechos de um relatório do Coaf, revelados pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostraram que Flávio recebeu 48 depósitos de R$ 2 mil feitos entre junho e julho de 2017 em um caixa eletrônico da Alerj, totalizando R$ 96 mil. A suspeita era a de que os funcionários estariam devolvendo parte dos salários, que é a prática conhecida como "rachadinha". Uma outra reportagem mostrou que o filho do presidente Bolsonaro também pagou um título bancário da Caixa Econômica Federal no valor de R$ 1 milhão.

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Se funcionários botavam dinheiro na conta do Queiroz, é problema dele, ele que responda.
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Jair Bolsonaro, presidente da República e pai do senador Flávio

Sobre isso, o presidente disse ainda que as dúvidas em relação ao dinheiro movimentado nas contas de Queiroz estão “resolvidas”. Ele afirmou que Queiroz repassou uma conta que tinha com uma construtora para a Caixa. “Não tem R$ 1 milhão, isso é uma operação normal, isso está resolvido”, afirmou.

Além disso, o presidente defendeu que os depósitos de menos de R$ 2 mil encontrados na conta do assessor foram feitos porque esse é o limite para depósitos em envelopes em caixas eletrônicos. “Não é para fugir do Coaf, que o limite é R$ 10 mil. Bolsonaro também citou compras de imóveis por Queiroz e completou: “Se funcionários botavam dinheiro na conta do Queiroz, é problema dele, ele que responda”.

Defesa

Fabrício Queiroz prestou depoimento  ao Ministério Público do Rio de janeiro no fim de fevereiro. Na defesa, ele afirmou que fazia o “gerenciamento financeiro” de valores recebidos pelos demais servidores do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. O ex-assessor negou que tenha se apropriado desses valores, que, pela sua versão, eram usados posteriormente para ampliar a rede de “colaboradores” que atuavam junto à base eleitoral do parlamentar fluminense.

Queiroz também afirmou à época que, como acreditava estar agindo de forma lícita e dispunha da confiança de Flávio, “nunca reputou necessário expor” ao chefe “a arquitetura interna do mecanismo que criou”.

Esse foi o único depoimento prestado pelo ex-assessor de Flávio até hoje. Em maio deste ano, a Justiça do Rio autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal do senador e de Queiroz, atendendo a um pedido do MP Estadual, junto com familiares de ambos e dezenas de outras pessoas que trabalharam com o então deputado estadual.

Depois disso, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli suspendeu, a pedido da defesa de Flávio, todos os processos judiciais que tramitam no País onde houve compartilhamento de dados da Receita Federal, do Coaf e do Banco Central com o Ministério Público sem uma prévia autorização judicial, ou que foram instaurados sem a supervisão da Justiça. Com a determinação do ministro, todos os casos que tratam sobre a controvérsia ficam suspensos até que o STF decida sobre a questão, incluindo o processo contra Flávio.

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