Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bolsonaro diz que ‘PP passa a ser possibilidade’ para 2022

Presidente admite que pode se filiar ao Progressistas, partido do senador Ciro Nogueira, indicado para ocupar a Casa Civil

Matheus de Souza e Gustavo Côrtes, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2021 | 14h38

SÃO PAULO E BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro admitiu nesta sexta-feira, 23, que o Progressistas (PP) entrou para o rol de siglas que ele considera entrar para concorrer à eleição de 2022. Ainda assim, o presidente afirma que, no momento, não pensa em reeleição. “Não vou falar que sou candidato nem que não sou”.

“Tentei, estou tentado, um partido que eu possa chamar de meu, e possa realmente, se for disputar a presidência, ter o domínio do partido. Está difícil, quase impossível. Então, o PP passa a ser uma possibilidade de filiação nossa. Faz parte da regra do jogo”, declarou o presidente, em entrevista à Rádio Grande FM. Bolsonaro disse que, em um cenário ideal, ele concorreria de “forma independente” à presidência.

A aproximação de Bolsonaro com o Progressistas tem aumentado desde que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) teve sua nomeação anunciada para assumir o Ministério da Casa Civil. A oficialização do senador na Pasta deve ocorrer na segunda-feira, 26, quando o parlamentar retorna do recesso e terá encontro com o presidente.

Bolsonaro afirmou que irá falar quais serão os “limites” de Ciro Nogueira e fará uma proposta para ele. De acordo com Bolsonaro, a medida provisória para sua nomeação está pronta, mas só irá oficializar Nogueira após esta conversa.

Réu na Operação Lava Jato, o senador é representante do chamado Centrão, ala mais fisiológica da política nacional e tem o controle sobre a máquina partidária do PP. Sua nomeação à Casa Civil faz parte da estratégia do governo para ampliar a base de apoio no Congresso, onde a sigla tem dez representantes, na Câmara, e sete no Senado. De acordo com Bolsonaro, a indicação de Nogueira é para tornar o governo mais proativo, “para a gente aprovar nossas propostas”.

Alvo de críticas pela aproximação do governo com o bloco, que tanto Bolsonaro quanto sua base de governo criticaram durante a campanha eleitoral, o chefe do Executivo voltou a diminuir o caso e afirmar que ‘Centrão’ é um nome pejorativo, e que ele mesmo integrou o bloco no passado. “Eu fui do PP por aproximadamente 20 anos”, disse.

Bolsonaro também declarou que é obrigado a se aproximar dos partidos de centro para manter sua governabilidade. Segundo ele, os partidos de centro têm cerca de 200 parlamentares, e que se ele “aleijar” esses deputados, ele fica apenas com 300 para negociar. “Desses 300 que sobram, tem metade que é do PT, PCdoB, PSOL, Rede, Cidadania, que não tem realmente nada em afinidade conosco e sempre votaram contra gente”.

Segundo os cálculos de Bolsonaro, sem os partidos de Centro e os de oposição, ele ficaria com apenas 150 deputados. "Com 150 eu não faço nada”.

Em resposta às críticas pela aproximação com o Progressistas e com os partidos de centro, Bolsonaro disparou: “Se alguém tem alguma bronca contra qualquer parlamentar, não se esqueçam que foram vocês que colocaram”. “Eu busco sempre uma maneira de melhor administrar o Brasil sem conflito. Eu sou taxado de uma pessoa violenta, agressiva, não tem nada disso”, concluiu.

André Mendonça indicado ao STF

Bolsonaro afirmou que sua decisão de indicar o advogado-geral da União, André Mendonça, para o posto de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) obedece a seu “critério técnico” de indicações, mas que pesou na sua decisão a religião do advogado. Indicar alguém “terrivelmente evangélico” para o STF era uma das promessas de campanha do presidente. Confiante, Bolsonaro afirmou que trabalha com senadores para que a indicação passe pelo Casa. “Acho que teremos sucesso”.

Bolsonaro defendeu o advogado, afirmando que ele “preenche em tudo, no tocante ao conhecimento da questão jurídica no Brasil”. O presidente disse que, se fosse aplicada uma prova para Mendonça, ele duvida que o parlamentar tirasse “menos que 9,5”. “Agora, eu queria somar a isso a questão de ser evangélico”, disse o chefe do Executivo. “Acredito eu, como sou um cristão, que o perfil adequado neste momento seria esse (o de ser evangélico), além de eu cumprir um compromisso de campanha.”

Sua indicação depende, agora, de passar pela sabatina do Senado. “E nós temos trabalhado junto a senadores para aprovar o nome dele”, afirmou o presidente, que classificou Mendonça como pessoa conservadora “que não vai partir do radicalismo”.

Seguindo os ritos constitucionais, Mendonça agora deve passar por sabatina no Senado Federal. Para ser aprovado, o ministro precisa do voto de pelo menos 41 dos 81 senadores. Muitos parlamentares da Casa têm reservas ao indicado de Bolsonaro pelo uso da Lei de Segurança Nacional (LSN) contra críticos do governo enquanto ocupava o Ministério da Justiça.

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