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Bolsonaro diz que o ‘acusam de tudo’ e volta a atacar CPI da Covid

Presidente rebate deputado que denunciou compra suspeita da vacina Covaxin e afirma que comissão não conseguirá tirá-lo do cargo

Gustavo Côrtes e Pedro Caramuru, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2021 | 16h55

BRASÍLIA E SÃO PAULO – O presidente Jair Bolsonaro reafirmou nesta quinta-feira, 24, que a CPI da Covid não conseguirá retirá-lo do poder e rebateu acusações do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que afirma tê-lo alertado de possíveis irregularidades no contrato do Ministério da Saúde para compra da vacina Covaxin. “Me acusam de tudo, até de comprar uma vacina que não chegou no Brasil”, disse.

“Sete senadores, estando à frente deles Renan Calheiros, dizem que eu não dou bom exemplo na pandemia. Renan Calheiros, siga meu exemplo seja honesto”, completou em discurso durante cerimônia em Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte.

Antes de se dirigir ao palco, o Bolsonaro foi ao encontro dos apoiadores. Sem máscara, o presidente cumprimentou e tirou foto com as pessoas, pegou crianças no colo e chegou a tirar uma foto com um chapéu de couro, adereço comum no semiárido nordestino. 

De acordo com reportagem do Estadão/Broadcast, o governo brasileiro concordou em contrato pagar valor dez vezes maior pela vacina Covaxin, contra a covid-19, que o preço anunciado seis meses antes. Segundo irmão do deputado e servidor do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, houve “pressão anormal” de chefes da Pasta para a assinatura do acordo de compra.

Na quarta-feira, 23, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni, afirmou que o deputado e seu irmão serão investigados por fraude contratual e denunciação caluniosa pela Polícia Federal. Bolsonaro voltou a dizer que não há casos de corrupção em seu governo e se referiu às acusações feitas a ele como “mentiras que buscam desgastar o governo”.

Mais cedo, em outro evento, Bolsonaro voltou a declarar que seu governo permanece sem registrar nenhuma caso de corrupção e tentou minimizar a repercussão da compra de vacinas contra a covid-19 por mais de dez de vezes acima do preço, conforme revelou o Estadão/Broadcast. De acordo com o presidente, não adianta a imprensa “inventar” histórias sobre a vacina da Covaxin, pois o governo não recebeu nenhuma dose do imunizante, e, caso exista alguma irregularidade, o Executivo irá apurar.

Durante o evento, uma visita técnica à Barragem de Oiticica, o ministro das Comunicação, Fábio Faria, que acompanhou a comitiva do presidente Bolsonaro, fez ataques à governadora Fátima Bezerra (PT). O ministro criticou o anúncio de compras de imunizantes feito pela governadora, chamando-a de mentirosa e argumentando que “todas as vacinas até hoje aplicadas no Brasil foram compradas, adquiridas e pagas pelo presidente”.

Em sua chegada ao Estado, Bolsonaro novamente provocou aglomerações. Como costuma fazer em todas as viagens, caminhou sem máscara, cumprimentou apoiadores com abraços e apertos de mão. Acompanharam o presidente, além do ministro das Comunicações, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno./COLABOROU JULIANA FERNANDES, ESPECIAL PARA O ESTADÃO

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