Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

Bolsonaro diz que não quer 'tomar' PSL, mas volta a cobrar 'transparência'

Crise no partido se agrava após operação da PF e ameaça andamento de projetos do governo no Congresso

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2019 | 10h28

Em meio à briga interna no PSL, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta quarta-feira, 16, que não quer "tomar o partido de ninguém", mas voltou a cobrar a divulgação dos gastos da sigla. Nessa terça-feira, 15, a operação de busca e apreensão deflagrada pela Polícia Federal em endereços ligados ao presidente do PSL, Luciano Bivar, no Recife agravou a crise que envolve o partido de Bolsonaro e ameaça prejudicar o andamento de projetos de interesse do Palácio do Planalto no Congresso.

"Partido tem de fazer a coisa que tem de ser feita, normal. Não tem de esconder nada. Não quero tomar partido de ninguém, mas transparência faz parte. O dinheiro é público. São R$ 8 milhões (do fundo partidário) por mês, tá ok?", disse Bolsonaro.

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Perguntado se deseja a saída de Bivar do comando do partido, Bolsonaro disse que não defende "nada”. Ainda afirmou não ter mágoas sobre ninguém. "Minha resposta é transparência para tudo. Então vamos mostrar as contas. Não ficar, como a gente vê notícias por aí, de 'expulsa de lá, tira da comissão, vai retaliar'."

À tarde, em novo gesto para amenizar a crise interna no PSL, Bolsonaro disse que "está tudo" certo com partido e que "se Deus quiser a gente vai resolver isso aí". 

"O Brasil tá acima do nosso partido. Nosso partido é o Brasil", disse o presidente. As declarações foram feitas após visita ao general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército e atual assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que deixou o hospital no último dia 12. Bolsonaro afirmou que conversa com Villas Bôas antes de tomar muitas decisões. 

No dia 8, Bolsonaro externou a crise no partido ao pedir a um militante que “esquecesse o PSL” e dizer que Bivar estava “queimado para caramba”. Desde então, a sigla está rachada entre os pró-Bivar, que ameaçam até expulsão de dissidentes, e os pró-Bolsonaro, que avaliam uma forma de deixar o partido sem abrir mão de mandato e dinheiro do fundo partidário.

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"Eu não tenho falado nada do PSL. Zero. Zero. Zero. O tempo todo fofoca, que estou elegendo traidores para lá, para cá. O partido está com a oportunidade de se unir na transparência", disse o presidente. "Devo ao partido, sim, minha eleição. Sei que tinha outros partidos à disposição, mas briga não é essa."

A crise incontrolável do PSL; ouça no podcast abaixo.

Nessa terça, a crise no PSL teve consequências no Congresso. Após o deputado Delegado Waldir, líder do PSL na Câmara, se unir à oposição para tentar obstruir a medida provisória que trata sobre a reformulação da estrutura do Poder Executivo e mexe com pontos sensíveis como o antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), deputados bolsonaristas iniciaram um movimento para destituir o parlamentar da função.

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