Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro diz que ministro Vélez Rodríguez continua no cargo

'Teve um probleminha com o primeiro homem dele, mas está tudo resolvido', disse o presidente

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2019 | 15h02

O presidente Jair Bolsonaro disse há pouco, ao chegar ao Itamaraty, que o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, "continua no cargo". Lembrado que filósofo Olavo de Carvalho foi ao Twitter criticar o ministro e até mesmo pedir a sua demissão, Bolsonaro disse: "Eles estão se entendendo". "Não precisa sair (o ministro)", completou.

"Teve um probleminha com o primeiro homem dele, mas está tudo resolvido", disse o presidente numa referência a Vélez - cuja indicação é atribuída a Olavo. "Eu tenho seis filhos e tenho problema de vez em quando. Imagine com 22 ministros", afirmou. "Eu tenho cinco filhos", corrigiu logo em seguida, sorrindo e admitindo ter sido traído pela memória.

Sobre a situação do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, envolvido em denúncias de ter direcionado verbas de campanha a candidatas suspeitas de serem laranjas, o presidente limitou-se a responder: "Estou aguardando primeiro o relatório da investigação."

APREENSÃO NO MEC

O clima é de apreensão no MEC após funcionários ligados ao professor deixarem a pasta. Como publicou o Blog da Renata Cafardo, há temor de que Vélez seja demitido – o ministro e o presidente Bolsonaro tem hoje mais uma reunião para tratar da crise interna no órgão.

Olavo tem feito críticas ao ministro e a seus subordinados em suas redes sociais. As disputas no ministério começaram semana passada, quando seis funcionáveis que defendiam políticas de viés ideológico deixaram o ministério. Dentre essas políticas, a mais importante, revelada pelo Estado, foi uma carta enviada às escolas pedindo que o slogan de campanha de Bolsonaro ("Brasil acima de tudo, Deus acima de todos") fosse lido por crianças e que elas ainda fossem filmadas cantando o Hino Nacional.

Com a repercussão da notícia - Vélez recuou na determinação enviada às escolas - , o ministro deixou os “olavistas” de lado e passou a se aconselhar com um grupo que defende o abandono do discurso ideológico. “Olavistas”, por sua vez, dizem que o grupo é “tucano” e não segue as ideias de Bolsonaro. Os técnicos rivalizam com outros dois segmentos dentro do MEC, o de seguidores de Olavo e o de alguns militares.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.