Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bolsonaro diz que irá conversar com líderes partidários a partir da semana que vem

Presidente eleito afirmou que pretende trabalhar junto com o Congresso para superar a crise brasileira e criticou o indulto de Natal de Temer e sua provável aprovação pelo STF

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2018 | 16h59

CACHOEIRA PAULISTA (SP) - Depois de insistir que não negociaria cargos com partidos políticos, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, confirmou nesta sexta-feira, 30, que a partir da semana que vem começará a conversar com líderes partidários para aproximar o futuro governo do Congresso. "O Parlamento é responsável. Se nós dermos errado, todo mundo perde", disse Bolsonaro após visitar o Santuário da Canção Nova, em Cachoeira Paulista, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo.

Bolsonaro disse que conversará com dois ou três partidos por dia na semana que vem. Ele declarou que a intenção é negociar saídas para as crises ética, moral e econômica do País. "Devemos sair dessa crise juntos e o presidente sozinho não pode fazer nada porque pelo Parlamentar passa grande parte das nossas propostas."

Ao dar uma entrevista separada para emissoras de inspiração católica, Bolsonaro disse que, se seu governo não der certo, "todos sabem quem voltará", em uma referência indireta ao PT e fazendo críticas a governos comunistas e socialistas de Cuba e Venezuela. 

Indulto

Por duas ocasiões, nesta sexta-feira, Bolsonaro criticou o indulto natalino editado pelo presidente Michel Temer em 2017 e que já tem maioria para ser confirmado no Supremo Tribunal Federal. A medida pode beneficiar condenados por corrupção. O presidente eleito declarou ter avaliado com "bastante tristeza" o indulto natalino de Temer. Mais cedo, ele afirmou que não editará nenhum indulto em seu governo e defendeu que condenados cumpram integralmente suas penas. 

Bolsonaro revelou que pretende ir aos Estados Unidos no primeiro bimestre de 2019 e quer aprofundar as relações comerciais do Brasil com o país norte-americano. Questionado sobre o Acordo de Paris, cuja permanência brasileira foi colocada como condição pela França para o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, Bolsonaro afirmou que seu governo vai procurar fazer o melhor pelo meio ambiente independentemente do acordo. 

Após fazer visitas ao Santuário Nacional de Aparecida e ao Santuário da Canção Nova, em Aparecida (SP) e Cachoeira Paulista (SP), respectivamente, o presidente eleito se direcionou para Resende (RJ), onde participa de solenidade da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) na manhã deste sábado, 1. 

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