Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

Bolsonaro afirma que general Heleno pode ir para o GSI

Para o presidente eleito, caso general seja deslocado para o núcleo duro do Planalto, 'alguém da Marinha pode ocupar a Defesa'

Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2018 | 16h11
Atualizado 07 Novembro 2018 | 12h32

BRASÍLIA  - O presidente eleito, Jair Bolsonaro, disse nesta terça-feira, 6, que, “no que depender dele”, o general da reserva Augusto Heleno não vai para o Ministério da Defesa, como ele havia anunciado antes, mas para o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). A intenção de Bolsonaro de levar o general para o Palácio do Planalto para fazer parte do “núcleo duro” do governo foi antecipada na edição desta segunda-feira, 5, pelo Estado.

O presidente eleito, em um gesto simbólico, fez questão de dedicar boa parte de sua agenda do primeiro dia em Brasília após a eleição a encontros com representantes das Forças Armadas, começando por um almoço com o ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna. Na saída, avisou que “os militares terão lugar de destaque” no seu governo.

Com esta mudança de planos da Defesa, Bolsonaro terá de redesenhar o xadrez da cúpula militar. Um dos nomes que surgiram para assumir o Ministério foi o do comandante da Marinha, almirante Eduardo Leal Ferreira. Há quem defenda que o próprio general Silva e Luna permaneça no cargo.  Mas, ao sair do encontro com o almirante Leal Ferreira, Bolsonaro, em entrevista, confirmou que quer o general Heleno no “núcleo duro” do Planalto, e declarou que não colocará um civil na pasta, que continuará com um oficial-general. Em seguida, deu sinais de que está pensando em iniciar uma nova estratégia para o comando do MD, promovendo rodízios de forças, com a indicação de um almirante.

“A Defesa aqui vai ser um quatro-estrelas, pode ser até alguém da Marinha, já que eu estou aqui. Se o general Heleno for pro GSI, acho que a Marinha seria muito bem representada, para dizer que vamos dar espaço pra todas as forças”, comentou.

Bolsonaro lembrou que todos os nomes que tem escolhido “são de pessoas competentes” e brincou que “até agora não vi ninguém reclamar”. E emendou: “o general Heleno, por exemplo, pode ir para a Defesa ou GSI. Sim, no GSI. Quem é que pode se dar o luxo de se privar da companhia de uma pessoa como o general Heleno ao seu lado?. Eu gostaria sim que ele fosse para o GSI. E, no que depender de mim, ele irá para o GSI; Mas a Defesa está aberta, e se ele achar que é melhor a Defesa, tudo bem”. Na área militar, a sua ida para o Planalto já é dada como certa.

Agenda de Bolsonaros com militares foi intensa

A agenda de Bolsonaro com os militares começou pouco antes do meio dia, logo após comparecer à comemoração do aniversário da Constituição, no Congresso. Nas reuniões com os militares evitou tratar de sucessão nos comandos das Forças Armadas – até pela quantidade e diversidade de pessoas presentes - e fez questão de reiterar, em cada encontro, que estava ali para “prestigiar os militares”.

Na Defesa, onde o superministro da Economia estava presente, ouviu que o grande desafio das forças era a questão orçamentária e um apelo para que houvesse “previsibilidade” e “continuidade” na liberação dos recursos, para que não falte dinheiro para os projetos em andamento. Na saída da Defesa, questionado sobre os cortes orçamentários, Bolsonaro afirmou que “segundo Paulo Guedes, que manda na economia, as Forças Armadas não terão recursos contingenciados”. E justificou: “Acho que nada mais justo, é um reconhecimento às Forças Armadas não contingenciar recursos que são tratados com tanto zelo pelos militares e que grandes serviços prestam ao Brasil, especialmente em momentos difíceis que a Nação atravessa”.

O ministro da Defesa, também em entrevista, embora reconheça que contingenciamento seja “natural” apelou que se houver cortes, que eles ocorram no começo do ano, para não atrapalhar a programação das atividades.

Nas visitas à Defesa e aos comandos da Marinha e do Exército, Bolsonaro estava acompanhado de um séquito formado não apenas por militares. Participaram além de dois de seus filhos, Eduardo e Flávio, o vice-presidente general Hamilton Mourão, o general Augusto Heleno, o candidato à pasta da infraestrutura, general Oswaldo Ferreira, além de outros integrantes do núcleo duro, Luiz Antônio Nabhan Garcia e Gustavo Bebianno e Paulo Guedes. Nesta quarta-feira, 7, será a vez do encontro na Aeronáutica.

As conversas foram descontraídas e Bolsonaro chegou a se queixar das longas jornadas. Ele revelou que pretende, assim que fizer a sua cirurgia prevista para 12 de dezembro, tirar pelo menos uma semana de folga, para descansar.

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