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Bolsonaro diz que foi pressionado a demitir Guedes após menção ao AI-5

O presidente afirmou nesta segunda-feira que não vê problemas nos flertes a atos da ditadura militar de seu ministro

Tiago Aguiar, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2019 | 21h04
Atualizado 03 de dezembro de 2019 | 11h12

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira, 2, que foi pressionado a demitir o ministro da Economia, Paulo Guedes, após o comentário que ele fez na semana passada, no qual sugere a possibilidade de decretação de um novo AI-5 para combater eventuais protestos de rua contra o governo. “Quem pede a cabeça do Paulo Guedes quer desestabilizar a economia”, disse o presidente ontem, em entrevista ao Jornal da Record

Foi a primeira vez que Bolsonaro comentou a fala de Guedes sobre o AI-5. Na semana passada, quando questionado sobre o assunto, Bolsonaro disse que preferia falar sobre “A-38” – em referência ao número do partido que pretende criar. 

Na entrevista, Bolsonaro negou intenção de propor medida que resulte na diminuição de direitos. Ainda assim, disse não ver “nada de mais” na citação ao AI-5 – o Ato Inconstitucional n.º 5, baixado no momento mais duro da ditadura, que resultou no fechamento do Congresso e supressão de direitos civis e políticos. No final de outubro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, sugeriu o uso do AI-5 em caso de “radicalização da esquerda”.

“Não vejo nada demais no fato de citar o AI-5, que existia na Constituição passada. O Paulo Guedes e o Eduardo citaram num contexto, não diante de movimentos sociais reivindicatórios, mas (na possibilidade) de descambar para algo parecido com terrorismo, como vem acontecendo no Chile. Podiam ter usado outra expressão. Não vejo porque tanta pressão em cima dos dois”, afirmou. 

Lula

O presidente não quis responder se tem incômodo pessoal com a liberdade do ex-presidente Lula, mas disse que as declarações recentes de Lula o ajudam politicamente, sem especificar quais.

“Ele tem trazido com essas falas, a intolerância. Pregando coisas absurdas. Me acusou frontalmente de estar envolvido na morte da Marielle entre outras coisas. Logicamente eu não fico feliz com isso. Eu não vejo isso como um direito de expressão dele. Mas vamos ter que engolir esse sapo e o barco segue”.

Ainda provocado, Bolsonaro disse que não vai responder diretamente críticas do ex-presidente ao seu governo.

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