Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Bolsonaro diz que filho Carlos terá espaço no governo 'se assim desejar'

Durante evento no Rio, o presidente eleito ainda direcionou críticas ao programa Mais Médicos

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2018 | 14h52

RIO - Após a polêmica da saída de seu filho do meio, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), do seu grupo de transição de governo, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), disse que seus filhos têm independência e podem criticar “à vontade” suas ações. Nesta semana, Carlos anunciou que se desligaria do grupo e voltaria ao trabalho na Câmara Municipal do Rio, onde tirou licença não remunerada para cuidar da campanha do pai. 

“Com os meus filhos, não tem problema nenhum, todos eles têm independência e podem criticar à vontade. Meus filhos continuam comigo, sem qualquer problema. Ele (Carlos) tem espaço no governo, se assim desejar”, afirmou, após participar, neste sábado, de uma cerimônia de aniversário de 73 anos da brigada da Infantaria de Pára-quedista, na Vila Militar, em Deodoro, zona oeste do Rio.

Conforme o Estado apurou, Carlos teria ficado irritado com a indicação do advogado Gustavo Bebianno para titular da Secretaria-Geral da Presidência da República. Bebianno é a maior desavença do vereador no núcleo próximo ao pai. O advogado também chegou a declarar que Carlos poderia ocupar a Secretaria de Comunicação da Presidência, o que foi negado posteriormente pelo vereador.

Ao anunciar que sairia do grupo, Carlos escreveu em seu perfil no Twitter que “caráter não se negocia” e que, “quando há compulsão por aparecer a qualquer custo, sempre tem algo por trás”. “A procura por holofote é um péssimo indicativo do que se pode esperar de um indivíduo”, afirmou. 

O vereador também comunicou que não tomaria mais conta das redes sociais do pai, tarefa que exercia há quase dez anos. Neste sábado, Bolsonaro minimizou a declaração de Carlos e disse que seu filho continuará com esta função.

Mais médicos. Durante o evento, o presidente eleito ainda direcionou críticas ao programa Mais Médicos. "Há muitos cubanos que têm famílias lá em Cuba e já constituíram famílias aqui. Esse projeto destruiu famílias", disse. "Também tem muita mulher cubana que está aqui há um ano sem ver o seu filho. Isso é mais do que tortura, é um ato criminoso praticado pelo governo de Cuba e pelo desgoverno do PT".

Bolsonaro afirmou que o Brasil não pode deixar pessoas vivendo em regime "de semi escravidão", referindo-se ao programa. "Qualquer um de fora que trabalhe aqui tem que ser submetido às mesmas leis que vocês. Não podem confiscar  salários, afastar famílias", declarou.

O deputado ressaltou também que o governo do presidente Michel Temer (MDB) está fazendo uma seleção para preencher as vagas deixadas por médicos cubanos. "Praticamente, já temos o número suficiente", afirmou.

De acordo com balanço do Ministério da Saúde divulgado na última sexta-feira, 92% das vagas disponibilizadas no programa já foram preenchidas.  São 25.901 inscritos com registro (CRM) no Brasil. Desse total, 17.519 foram efetivados e 7.871 profissionais já estão disponíveis para atuação imediata.

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