Gustavo Lima/Agência Câmara
Gustavo Lima/Agência Câmara

Bolsonaro diz que deputado do DEM é cotado para assumir Saúde

Luiz Mandetta é deputado por MS; Gustavo Bebianno pode assumir Secretaria-Geral da Presidência

Fábio Grellet, Anne Warth e Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2018 | 18h18
Atualizado 13 Novembro 2018 | 12h25

BRASÍLIA - O presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou nesta segunda-feira, 12, que o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) poderá assumir o Ministério da Saúde em seu governo. Se confirmada a nomeação, será a terceira de um integrante do Democratas para o futuro governo – apesar de, durante a campanha eleitoral, o então presidenciável do PSL ter procurado se diferenciar dos políticos e partidos tradicionais.

Formado pela Universidade Gama Filho, Mandetta foi conselheiro do plano de saúde Unimed. Quem também deve assumir um posto no novo governo é o advogado Gustavo Bebianno, um dos principais assessores de Bolsonaro e que durante a campanha foi presidente do PSL.

Nesta segunda-feira, 12, ao deixar o prédio onde funciona o gabinete de transição, o deputado Onyx Lorenzoni (DE-RS) disse que Bebianno será o “futuro ministro da Secretaria-Geral da Presidência”. Ele fez o comentário ao relatar que esteve com o “futuro ministro” na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Depois, Onyx disse que quem “vai anunciar isso é o presidente".

“Eu torço para que isso aconteça porque ele é um parceiro de todas as horas”, afirmou. “É um desejo de ver alguém que foi tão importante na campanha e tem todas as condições de participar. Eu sou um cara disciplinado e quem decide isso é o presidente.” Bebianno chegou a ser cotado para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, que acabou ficando nas mãos do juiz Sérgio Moro.

As articulações políticas, inclusive para a formação da nova administração, estão a cargo de Lorenzoni, nomeado ministro extraordinário para tratar da transição e que vai assumir a Casa Civil a partir de janeiro. Outro nome definido do DEM no governo Bolsonaro é o da deputada Tereza Cristina (MS), que irá para o Ministério da Agricultura. Integrante da bancada ruralista, ela defende, por exemplo, maior liberdade para o uso de agrotóxicos na agricultura.

Sobre Mandetta, Bolsonaro disse que as negociações não chegaram a um fim. “Conversei com o Mandetta hoje (segunda-feira, 12), dei mais um passo, estou conversando com ele, sim. Ele tem reportado as questões da saúde comigo. Pode (ser o novo ministro), está sendo conversado o nome dele, mas nada definido”, afirmou o presidente eleito, que concedeu entrevista ontem à tarde na porta do condomínio onde mora, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio).

Segundo Bolsonaro, o novo ocupante da pasta precisa “ter uma gestão, tem de economizar dinheiro, tem de tapar os ralos que existem”. “Tem de ter o prontuário eletrônico (dos pacientes). Não pode o elemento fazer um exame aqui hoje e, daqui a dois meses, estar em outro Estado e fazer outro exame. Nós queremos é facilitar a vida do cidadão e também economizar recursos.”

Bolsonaro descartou destinar mais dinheiro à Saúde. Disse que o importante é racionalizar o uso dos recursos já existentes. “Não tem como falar em investir mais na saúde porque nós já estamos mais que no limite de gastos em todas as áreas”, disse o presidente eleito.

Lorenzoni acumulará funções e negociará com o Congresso

Pelo desenho elaborado até agora pelo presidente eleito, Lorenzoni acumulará as áreas de negociação com o Congresso e coordenação dos ministérios. Na entrevista de ontem, o parlamentar fez um esforço para aliviar o clima de tensão com o Legislativo. “Toda equipe está sendo preparada para que os deputados e senadores digam o seguinte: ‘Nunca fui tão respeitado e valorizado’”, disse.

Lorenzoni admitiu que a proposta de Bolsonaro de governar com 15 ministérios (atualmente são 29) esbarrou na realidade das áreas. “Têm ministérios que queremos fundir, mas ficam com número muito grande de secretarias”, disse. “É complexo para o resultado que a gente quer. O que está claro para nós é que o governo precisa encolher.”

Bolsonaro diz que confia na indicação de Levy para o BNDES

Sobre a nomeação de Joaquim Levy para a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Bolsonaro disse confiar na escolha feita por seu futuro ministro da Economia: “Tem uma reação, tendo em vista ele (Levy) ter servido a Dilma (Rousseff) e (Sérgio) Cabral, mas não tem nenhum processo contra ele. Esse é o argumento do Paulo Guedes, e eu tenho que acreditar. Na primeira semana não vai ter mais sigilo no BNDES. Eu não sei o Joaquim Levy (se quer abrir o sigilo do BNDES). Meu contato é com o Paulo Guedes, ele é que vai abrir. Se não abrir, alguma coisa vai acontecer”, afirmou Bolsonaro.

O presidente eleito afirmou que durante reunião com Guedes na manhã desta segunda-feira, 12, também conversou sobre a reforma da Previdência: “A gente acha que dificilmente se aprova alguma coisa neste ano. A reforma que está aí não é a que eu e Onyx Lorenzoni queremos. Tem que reformar a Previdência, mas não apenas olhando números, tem que olhar o social também. O meu trabalho e o seu são diferentes de quem trabalha na construção civil, por exemplo. Tem que ter coração também. Tem que começar com a Previdência pública”, afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.