Gabriela Biló / Estadão
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Bolsonaro diz que denúncias de tortura na ditadura são 'tudo cascata para ganhar indenização'

Afirmação foi dita nesta manhã quando o presidente deixou o Palácio da Alvorada para conversar com simpatizantes

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2020 | 16h58

BRASÍLIA — O presidente  Jair Bolsonaro disse neste sábado, 29, que as denúncias de tortura ocorridas no regime militar são "tudo cascata para ganhar indenização". A afirmação foi feita no final da manhã, ao sair do Palácio da Alvorada e conversar com simpatizantes, entre eles um militar que esteve nas matas do Vale do Ribeira, em Eldorado (SP), em busca do guerrilheiro Carlos Lamarca.

Durante a conversa, populares que acompanhavam a saída de Bolsonaro do Alvorada comentaram que naquela época havia muito tortura. "Isso é papo...A maioria... Tudo cascata para ganhar indenização", afirmou o presidente.

 

Bolsonaro disse que a ex-presidente Dilma Rousseff integrou, durante o regime militar, a Vanguarda Revolucionária, que teria atuado na região. "A Dilma integrava a guarda popular revolucionária, que matou a paulada um tenente no Vale do Ribeira", disse Bolsonaro, em referência ao tenente Alberto Mendes Júnior.

O tenente Alberto Mendes, da Polícia Militar de São Paulo, foi morto em maio de 1970, em Eldorado Paulista, por Carlos Lamarca e outros quatro guerrilheiros da Vanguarda Popular Revolucionária, a VPR, uma das organizações de luta armada no tempo da ditadura. Nessa época, Dilma Rousseff estava presa havia três meses no DOPS, em São Paulo, período em que foi torturada. Depois, foi levada para o Presídio Tiradentes, onde ficou até 1973. Não há registro da participação dela em ações de luta armada antes e depois.

Dilma chegou a integrar a organização Colina. Essa organização se fundiu com a VPR formando a VAR-Palmares, mas, segundo depoimentos de integrantes da luta armada, a ex-presidente não chegou a participar de atividades do novo grupo.

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