Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro diz que base americana responde a preocupação com segurança

Presidente se mostrou favorável a um acordo para que EUA instalem uma base em solo brasileiro, falou sobre mudanças no imposto de renda e manifestou preocupação com a fusão entre Boeing e Embraer

Felipe Frazão e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2019 | 12h40
Atualizado 04 de janeiro de 2019 | 13h00

O presidente da República, Jair Bolsonaro, disse nesta sexta-feira, 4, que há interesse dos Estados Unidos em instalar base militar em outros países da América do Sul, além do Brasil. Na quinta, o presidente sinalizou favoravelmente a um acordo para que os americanos instalem uma unidade em solo brasileiro.

"Estamos preocupados com nossa segurança, nossa soberania e eu tenho o povo americano como amigo", disse Bolsonaro após cerimônia de transmissão de cargo do comando da Aeronáutica, na Base Aérea de Brasília.

Ele não esclareceu se já iniciou tratativas concretas com representantes do governo Donald Trump, mas creditou a informação da prospecção por outros países sul-americanos a "conversas internas".

Mudança nos impostos

O presidente afirmou que o governo estuda reduzir a alíquota máxima do Imposto de Renda para pessoas físicas dos atuais 27,5% para 25%. Atualmente, a alíquota de 27,5% é cobrada dos contribuintes que ganham a partir de R$ 4.664,68 por mês. O governo instituiria uma alíquota única - entre 15% e 20% - e ampliaria a faixa de isenção (que atualmente é de R$ 1.903,98, ou seja, quem ganha até esse valor não paga IR).

A proposta da equipe econômica é que a alíquota maior, de 25%, seja cobrada apenas dos 3% mais ricos da população - aqueles que ganham acima de R$ 25 mil por mês. No entanto, a alíquota não incidiria sobre todo o salário, mas apenas da parte que ultrapasse os R$ 25 mil.

Assim, em um mesmo salário haveria três faixas: uma parte isenta, outra com a alíquota única (entre 15% e 20%) e outra parte com a alíquota de 25% (caso o salário ultrapasse os R$ 25 mil mensais). 

Os estudos do governo ainda preveem modificar a forma como gastos com saúde, educação e empregados domésticos são usados para deduções no Imposto de Renda. 

Fusão entre Boeing e Embraer

Bolsonaro também manifestou preocupação com a última proposta de fusão entre a Embraer e a Boeing. De acordo com a última versão do contrato, informações tecnológicas podem ser repassadas à empresa de aviação norte-americana. Bolsonaro não detalhou que tipo de dados poderiam ser acessados, mas falou em proteção do patrimônio nacional.

"Seria muito bom essa fusão, mas não podemos... Como está na última proposta, daqui a cinco anos tudo pde ser repassado para o outro lado. A preocupação nossa é essa. É um patrimônio nosso, sabemos da necessidade dessa fusão, até para que ela (Embraer) consiga competitividade e não venha a se perder com o tempo", afirmou o presidente após cerimônia no comando da Aeronáutica, na Base Aérea de Brasília.

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