Twitter/@DrTedros/Rprodução
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Bolsonaro discute produção de vacina com diretor-geral da OMS em Roma

No último dia do G-20, Tedros Adhanom afirmou que reforçou o potencial do País para a produção de vacinas

Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2021 | 16h57
Atualizado 31 de outubro de 2021 | 18h09

BRASÍLIA - O presidente Jair  Bolsonaro se encontrou, neste domingo, 31, com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante viagem a Roma, na Itália. O presidente está na capital italiana para participar da reunião da cúpula do G-20, que acontece neste final de semana e reúne diversos líderes mundiais.

O vídeo da reunião com o diretor-geral da OMS foi compartilhado pelo presidente pelas redes sociais. Pelo Twitter, o Palácio do Planalto informou que a reunião aconteceu "à margem da cúpula de líderes do G-20" e que o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, também participou. Não foram divulgados outros detalhes.

"Agora há pouco, por ocasião do G-20, eu tive um encontro com o senhor Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS. Veja o que ele fala sobre origem do vírus, a vacinação em crianças e adolescentes, passaporte sanitário e medidas restritivas como lockdown", diz Bolsonaro em vídeo compartilhado no Facebook. Durante a conversa, Bolsonaro falou que medidas restritivas desequilibraram a economia.

Em seu perfil no Twitter, Tedros Adhanom Ghebreyesus também comentou o encontro e afirmou que foi reiterado o compromisso de apoiar medidas relacionadas à covid-19. Durante a reunião, segundo ele, foi discutido o potencial do Brasil para a produção local de vacinas contra a doença, o que pode também atender às necessidades da América Latina e do mundo.

A agência internacional de notícias Bloomberg informou que Bolsonaro teve uma conversa amigável com Angela Merkel na noite de sábado, durante um jantar. Ele teria dito que “não era tão mau quanto a mídia sempre o retratou”, segundo dois funcionários do G-20 que testemunharam a cena. Merkel, que durante os 16 anos no poder esteve sob o escrutínio da imprensa, “sinalizou que entendia”.

A participação do presidente Jair Bolsonaro tem sido marcada por poucos encontros com outros chefes de Estado, como o argentino Alberto Fernández e o turco Recep Tayyip Erdogan. Isolado, o presidente não participou do passeio de líderes do G-20 neste domingo. Foi divulgada uma foto dos representantes de outros países jogando moedas na Fontana de Trevi, tradicional ponto turístico na capital italiana. Bolsonaro foi ao local na sexta-feira, 29.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, acompanhou Bolsonaro na maior parte dos compromissos oficiais. Mais cedo, ele esteve ao lado do presidente em um evento à margem da Cúpula do G-20, que tratava sobre o papel do setor privado na luta contra a mudança climática.

Guedes também acompanhou Bolsonaro na segunda sessão de mudança climática e meio ambiente, além de um almoço para debater o desenvolvimento sustentável e do encerramento da reunião das 20 principais economias do mundo.

Desassociada da agenda do presidente, o ministro teve uma reunião com a ministra das Finanças da Indonésia, Mulyani Indrawati, e com a secretária de Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen.

Apoiadores

O presidente compartilhou nas redes sociais vídeos em que cumprimenta apoiadores em Roma. Bolsonaro aparece acenando pela janela e, logo em seguida, vai ao encontro do grupo, que gritava palavras de apoio ao presidente. "Agradeço imensamente a todos pela consideração", escreveu o presidente na publicação. O encontro, no entanto, foi marcado pelas agressões por parte da equipe de segurança presidencial contra jornalistas brasileiros que estavam no local, segundo relatos

Bolsonaro embarcou para a capital italiana na última quinta-feira, 28. Na agenda oficial divulgada pelo Palácio do Planalto, está prevista a participação do presidente em sessões sobre mudanças climáticas, meio ambiente e desenvolvimento sustentável neste domingo.

A previsão é que o presidente vá amanhã, 1º de novembro, para a cidade Anguillara Veneta receber um título de cidadão local. O projeto para homenagear o presidente é de autoria da prefeita Alessandra Buoso, da Liga - partido de extrema-direita.

A decisão desagradou a políticos italianos, religiosos católicos e brasileiros que vivem na Itália. Na sexta, ativistas jogaram esterco e fizeram pichação na sede da prefeitura. O protesto foi organizado pelos ambientalistas do "Rise Up 4 Climate Justice".

Em entrevista à emissora SKy tg24, Bolsonaro disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o acusa de genocídio "porque é um oportunista" e defendeu sua gestão da pandemia, apesar dos crimes imputados a ele pelo relatório da CPI da Covid no Senado. Ele desacreditou o trabalho dos senadores, afirmando que "a comissão parlamentar de inquérito era composta por partidos de esquerda que estão na oposição" e que "há sete senadores que nada fizeram durante a pandemia".

Defendeu seu governo falando que colocou todos os meios para que “governadores e prefeitos combatessem a pandemia” e que "seguindo as instruções do Supremo Tribunal Federal, cerca de US$ 100 bilhões foram gastos". Ele se mostrou orgulhoso de "ser o único chefe de Estado no mundo que se opôs ao confinamento", embora tenha destacado que "a situação que se formou e algumas decisões que foram tomadas agravaram muito a economia do país e as consequências que podemos ver agora".

Bolsonaro ainda afirmou que “sempre foi favorável à vacina”, embora esteja com a conta suspensa temporariamente no YouTube após associar falsamente os imunizantes à contaminação por HIV. Ele também defendeu autonomia médica “sobre como tratar o paciente e quais medicamentos escolher ou administrar". Até hoje, Bolsonaro defende medicamentos como a cloroquina e a ivermectina, ineficazes no combate ao coronavírus. / Colaborou Leandro Tavares. Com informações da EFE

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