Adriano Machado/ Reuters
Adriano Machado/ Reuters

Bolsonaro deu mais um passo para frear agenda de reformas, diz cientista político

Para Carlos Melo, a repercussão do caso durante as próximas 72 horas vai definir boa parte do futuro do governo neste ano

Cícero Cotrim, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 13h33

Ao divulgar um vídeo que convoca manifestações contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro deu mais um passo para enfraquecer as instituições do País e a relação do governo com o legislativo, segundo avaliação do cientista político e professor do Insper Carlos Melo.

Ele classificou o episódio como “mais um passo” do presidente em um processo de fomento de incerteza política e avalia que, ao reiteradamente adotar comportamentos como esse, Bolsonaro dificulta o avanço da agenda de reformas do Planalto.

“Estamos praticamente em março e o que já foi votado? Nada. O Congresso espera as propostas do governo para as reformas para poder discutir, avançar. O governo tem de liderar este processo, mas abriu mão de ser maioria. Depois, reclama que a sua agenda não vai para a frente, que não consegue atrair investidores”, disse o cientista político.

Para Melo, a repercussão do caso durante as próximas 72 horas vai definir boa parte do futuro do governo neste ano, a depender de como as lideranças do Congresso Nacional e do próprio STF se manifestarem. “As instituições vão reagir? Olha, com a palavra os presidentes do Congresso e da Câmara”, disse.

De acordo com o cientista político, uma falha das instituições em responderem adequadamente ao episódio pode levar a uma crise no sistema político brasileiro, inclusive porque Bolsonaro dispõe de base social organizada que deve ir às ruas para fazer pressão em favor do presidente.

“Cada vez que ele comete, entre todas as aspas do mundo, um ‘ato falho’ como esse, ele gira um pouco mais o garrote em torno do pescoço da democracia .Não adianta o mercado ficar à espreita de uma agenda que parece que não se realiza e com esse tipo de coisa vai se realizar cada vez menos. Nosso maior ativo econômico é a democracia. Sem isso, caímos no campo da imprevisibilidade total”, disse Melo.

 

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