HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Bolsonaro destina 60% de emendas para saúde de militares

Levantamento mostra que presidenciável reservou maior parte de recursos para assistência médica e odontológica do setor

Daiene Cardoso e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2018 | 09h35

BRASÍLIA - Levantamento feito pelo Estadão/Broadcast com dados de 2014 - ano da última eleição presidencial - a 2018, mostra que o pré-candidato à Presidência da República e deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) destinou mais de R$ 45 milhões em emendas parlamentares para atividades relacionadas às Forças Armadas de pouco mais de R$ 76 milhões indicados por ele no Orçamento nesse período. Embora tenha um discurso de defesa da segurança pública, as emendas do ex-capitão do Exército foram majoritariamente para saúde de seus colegas militares.

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Nos últimos anos, o deputado reservou recursos para o Comando da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. A maior parte das rubricas orçamentárias foram para assistência médica e odontológica de servidores e militares, unidades de saúde das Forças Armadas, laboratórios, compra de equipamentos hospitalares e ambulâncias, além da modernização de hospitais militares. Quase todos os anos, o parlamentar garantiu verba para a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), onde se formou, e à brigada paraquedista do Exército, por onde também teve passagem.

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PROPAGANDA

De olho no apoio da categoria, Bolsonaro faz propaganda dos recursos que ele empenhou no Orçamento da União aos militares. Em ano eleitoral, o deputado mandou imprimir em dezembro 100 mil folhetos com o balanço dos recursos na Lei Orçamentária, onde cita a compra de aparelho de raio-X, ultrassom, eletrocardiógrafo, cama de parto humanizado, microscópio e equipamentos de laboratório. “Como prioridade no meu mandato parlamentar, a maioria das minhas emendas orçamentárias é destinada a atender Organizações de Saúde, em especial das Forças Armadas. Neste ano contemplei também algumas áreas relacionadas à Segurança Pública e em pesquisas de desenvolvimento tecnológico”, diz o deputado no folheto. O material foi impresso a um R$ 15,6 mil provenientes dos cofres da Câmara.

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Emendas são o instrumento pelo qual um parlamentar indica onde o governo vai gastar parte de seu orçamento num determinado ano. Parte dele é impositivo, isto é, o governo tem de pagar as emendas definidas pelo Congresso. As individuais são escolhidas pelos deputados de acordo com seus interesses políticos e, geralmente, destinadas aos redutos eleitorais. Pelo menos metade do valor delas deve ser obrigatoriamente enviados para pagar ações e serviços públicos de saúde. Em 2018, cada deputado indicou o destino de R$ 14,7 milhões do orçamento.

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PARA CIVIS 

Neste período, Bolsonaro reservou R$ 30,6 milhões para saúde pública da população civil e concentrou a maior parte dos recursos para o Rio de Janeiro. Há emendas para a Santa Casa de Misericórdia de Resende (RJ), para reforma do prédio da Procuradoria da República em São Gonçalo (RJ) e para o Hospital Geral dos Servidores do Rio de Janeiro. O Estado costuma ser destinatário de valores anuais que variam entre R$ 5 e 7 milhões para área de saúde. Neste ano, o deputado decidiu encaminhar R$ 1 milhão para manutenção das unidades de saúde de São Paulo, Estado onde nasceu.

Bolsonaro manteve regularidade na destinação de verbas para entidades conhecidas nacionalmente, como a Rede Sarah de hospitais de reabilitação, que recebeu entre R$ 1 e 2,6 milhões em recursos do Orçamento da União. A Rede Sarah recebeu os maiores valores do conjunto de emendas do parlamentar no período. A Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), no Rio de Janeiro, e o Instituto Nacional do Câncer (Inca) também aparecem na lista das entidades beneficiadas com os recursos de aproximadamente R$ 1 milhão.

AMAZONAS

O parlamentar também reserva emendas para o Amazonas, região com forte presença militar. Em 2014 foram mais de R$ 2 milhões para unidades de atenção especializada em saúde. Nos últimos anos, o presidenciável também reservou altos valores para uma cooperação da Marinha com a população ribeirinha da região amazônica na área de saúde. Os recursos anuais giraram em torno de R$ 1 milhão.

 

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