Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bolsonaro desautoriza Mourão e chama declarações do vice de 'peruada'

Mais cedo, Mourão afirmou que o Brasil respeita a soberania da Ucrânia; presidente disse que, além dele, 'ninguém fala' sobre conflito

Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2022 | 20h06

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro (PL) desautorizou nesta quinta-feira, 24, o vice Hamilton Mourão (PRTB) por ter se manifestado sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia. Mais cedo, Mourão disse que o Brasil respeita a soberania da Ucrânia. "Quem fala dessa questão chama-se Jair Messias Bolsonaro. Mais ninguém fala. Quem está falando, está dando peruada naquilo que não lhe compete", criticou o presidente em transmissão ao vivo pelas redes sociais.

Bolsonaro evitou, mais uma vez, criticar os ataques russos e disse que vai se reunir ainda nesta noite com os ministros Carlos França (Relações Exteriores) e Walter Braga Netto (Defesa) para avaliar o cenário e tomar uma posição.

"Nas próximas horas tenho uma reunião com o França, com o ministro da Defesa também, o Braga Netto, mais autoridades do governo, para que nós possamos fazer a primeira reunião nossa, dimensionar o que está acontecendo e que o Brasil tenha sua posição", disse.

O presidente estava acompanhado do ministro das Relações Exteriores e, a despeito da forte cobrança do Congresso, não endureceu o discurso contra o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Segundo Bolsonaro, é importante que o Brasil mantenha boas relações com o maior número de países. "O Brasil, obviamente, tem interesse de aprofundar seus laços de amizade, bem como comerciais, com outros países. Não é diferente o nosso relacionamento com a Rússia, com a Ucrânia. Estive na Hungria também", observou.

Ao falar sobre Mourão, o presidente disse que o vice extrapolou as suas competências. "O artigo 84 da Constituição diz que quem fala sobre esse assunto é o presidente. Com todo respeito a essa pessoa que falou isso, e eu vi a imagem, falou mesmo, está falando algo que não deve, não é de competência dela, é de competência nossa", declarou Bolsonaro.

Em conversa com jornalistas na manhã desta quinta-feira, 25, Mourão negou que o Brasil tenha se omitido de tomar posição sobre o conflito. "O Brasil não está neutro. O Brasil deixou muito claro que ele respeita a soberania da Ucrânia. Então, o Brasil não concorda com uma invasão do território ucraniano. Isso é uma realidade”, afirmou Mourão.

Ao longo do dia, porém, Bolsonaro evitou criticar a Rússia pelos ataques. Na transmissão ao vivo, disse que é "da paz" e destacou o diálogo com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, a quem visitou na semana passada.

"Nós somos da paz, nós queremos a paz. Viajamos para a Rússia, fizemos um contato excepcional com o presidente Putin, acertamos a questão de fertilizantes para o Brasil. Somos dependentes de fertilizantes da Rússia, Bielorrússia e grande parte desses países. O país mais importante do mundo se chama Brasil e eu sou presidente do Brasil", afirmou.

Durante a live, o ministro das Relações Exteriores também comentou os esforços do corpo diplomático para resgatar cidadãos de outros países da América do Sul que estão na Ucrânia. "Claro que nossos brasileiros terão a prioridade e, na medida da possibilidade e por solidariedade, nós também ajudaremos esses cidadãos do Equador e da Argentina que lá estão", assinalou França.


 

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