Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP

Após pressão de ruralista, Bolsonaro demitirá general da presidência do Incra

Presidente diz que militar é um ‘excelente jogador de basquete’, mas que está ‘jogando vôlei’

Mateus Vargas e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2019 | 19h40

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro vai demitir o general João Carlos Jesus Corrêa da presidência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A mudança no cargo foi discutida em reunião no Palácio do Planalto nesta segunda-feira, 30, com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o secretário de Assuntos Fundiários, Luiz Antônio Nabhan Garcia.

O porta-voz da Presidência, general Rêgo Barros, disse que será de Tereza a decisão de trocar o chefe do Instituto. O Ministério da Agricultura não confirma a mudança, mas o Estado apurou que a ministra e Nabhan vão formalizar na terça-feira, 1, a saída de Corrêa e de outros funcionários do primeiro escalão do Incra. O general foi nomeado ao comando do Incra em fevereiro

Corrêa não foi avisado se deixará o cargo até a tarde desta segunda, 30. Nos bastidores, Bolsonaro diz que o general é uma “boa pessoa” e o compara a um “excelente jogador de basquete”, mas que está “jogando vôlei”. O presidente ainda afirma que a decisão será da ministra Tereza. 

A demissão foi uma vitória do secretário Nabhan, ligado a grupos ruralistas, que reclama nos bastidores do que considerava baixa produtividade do órgão. 

No começo de agosto, Nabhan disse ao Estado que, se preciso, trocaria um general por “um técnico” no comando do Incra. “O general não é Deus. Na nossa ótica, é um cidadão como qualquer outro”, afirmou, sem citar Corrêa.

Na mesma entrevista, o secretário reclamou da “timidez” da “Operação Luz no Fim do Túnel”, lançada pelo Instituto para emitir 25 mil títulos de propriedade definitiva até o final do ano. Para Nabhan, a meta ideal seria entregar 600 mil títulos de terra até o final do mandato de Bolsonaro, sendo 200 mil definitivos.

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