ALAN SANTOS/PR
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Bolsonaro defende armar a população contra golpes de Estado

Presidente participa de celebração militar em Santa Maria (RS); ele sugeriu armamento de civis para ‘tentações não passem pela cabeça de governantes ao assumir o poder de forma absoluta’

Naira Hofmeister, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2019 | 22h31
Atualizado 16 de junho de 2019 | 14h39

SANTA MARIA – Em discurso durante uma celebração militar na noite deste sábado, 15, em Santa Maria (RS), o presidente Jair Bolsonaro disse que “mais do que o Parlamento, precisamos do povo ao nosso lado para que possamos impor política que reflita em paz e alegria a todos nós”. Ele também defendeu armar a população para evitar golpes de Estados.

No discurso, Bolsonaro não citou nenhuma proposta do governo específica, mas nesta semana três pautas do Planalto ficaram ameaçadas após derrotas na Câmara, no Senado e no STF: decreto de armas, extinção de órgãos colegiados e reforma da Previdência.

Ao se referir à Festa Nacional da Artilharia, evento que prestigiou em Santa Maria, Bolsonaro voltou a defender apoio a decreto que flexibiliza o porte de armas de fogo – a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta semana projetos que anularam o texto assinado pelo presidente em maio.

“Além das Forças Armadas, defendo o armamento individual para o povo”, afirmou o presidente, sob aplausos da plateia. Para Bolsonaro, essa medida seria importante “para que tentações não passem pela cabeça de governantes ao assumir o poder de forma absoluta”, disse. Bolsonaro, no entanto, não explicou a associação entre o porte ou posse de armas por civis e uma eventual resistência a governos autoritários, mas concluiu dizendo que “confiamos no povo e nas Forças Armadas para que esse mal cada vez mais se afaste de nós”.

Foi a primeira visita de Bolsonaro como presidente da República ao Rio Grande do Sul. Ao longo da semana, apoiadores do presidente se organizaram para promover uma recepção festiva ao chefe do poder Executivo.

Vestidos de verde e amarelo, apoiadores do presidente ficaram em dois pontos onde Bolsonaro poderia ser visto: a base aérea, onde pousou o avião presidencial, e em frente ao Regimento Mallet, quartel do exército que sediou a Festa Nacional da Artilharia.

Bolsonaro fez questão de cumprimentar os apoiadores. Na base aérea, ficou com a metade do corpo para fora do carro para cumprimentar apoiadores e recebeu um ‘pixuleco’ – boneco inflável representando o ex-presidente Lula com uniforme de presidiário –  o presidente deu tapas no boneco e o jogou para trás.

Durante a cerimônia militar, Bolsonaro também foi aplaudido em vários momentos e foi possível ouvir gritos esparsos de “mito” quando ele desfilou à frente de soldados e alunos do colégio militar. Coube também ao presidente, que é capitão reformado do Exército, dar a ordem de fogo em dois veículos blindados com canhões – um deles, acionado pelo vice-presidente da República, general Hamilton Mourão.

Aliás, tiros não faltaram durante a noite, cujo ruído provocaram sustos e risadas no público que não está acostumado com este tipo de demonstração militar. Os canhões foram acionados inclusive durante a execução de uma composição de Tchaikovski, cujas notas mais conhecidas foram mescladas a salvas de tiro.

Festa Nacional da Artilharia é celebrada desde os anos 80

A Festa Nacional da Artilharia é um evento celebrado desde os anos 80 na cidade, que tem o segundo maior contingente de servidores das Forças Armadas no Brasil. Ela se dedica à memória de Emílio Mallet, marechal que participou em diversas campanhas ao lado do Exército imperial brasileiro e que se tornou o patrono da artilharia nacional.

O evento tinha ares de superprodução cênica, com soldados atuando como se lutassem no século XIX, uniformes históricos, cenários de batalhas reconstruídos e música ao vivo, executada pela Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Santa Maria. Foram encenadas cenas de batalhas em que o marechal Mallet comandou tropas nas guerras da Cisplatina, contra Rosas e a do Paraguai, cuja simulação da batalha de Tuiuty, apresentada como “a mais sangrenta batalha campal” do conflito foi o ápice da noite, com cargas de cavalaria e de canhões se enfrentando em lados opostos.

Houve também desfile de veículos blindados de guerra e o toque de silêncio pela memória do marechal, cujos restos mortais o presidente Bolsonaro e o vice, Hamilton Mourão, homenagearam com flores no mausoléu. Também foi anunciada a incorporação da espada de gala do oficial do exército ao acervo guardado no regimento, que já possuía uma réplica da espada de combate.

Após a cerimônia, Bolsonaro deixou o quartel sem falar com a imprensa. 

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