Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bolsonaro critica 'prisões arbitrárias' por descumprimento de regras de isolamento

Presidente criticou a atuação de 'alguns prefeitos e governadores' na aplicação das regras de isolamento

Pedro Caramuru, Gregory Prudenciano, Daniel Galvão e Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2020 | 19h47

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, 16, que a aplicação da quarentena para conter a expansão do novo coronavírus tem sido feita com "prisões arbitrárias que ferem os direitos básicos de ir e vir” de “nem uma, nem duas, mas umas dez pessoas em praças públicas e praias” e criticou a atuação de “alguns prefeitos e governadores” na aplicação das regras de isolamento.

Durante a transmissão semanal ao vivo, Bolsonaro afirmou: “Jamais, da minha parte, determinaria a prisão de quem quer que fosse, a menos que pessoa fosse comprovadamente portadora do vírus”. Nesta semana, circulou nas redes sociais um vídeo de uma mulher que foi presa pela Guarda Civil Metropolitana de Araraquara após se recusar a cumprir determinações de isolamento. O presidente não endereçou os questionamentos de que poderia ser portador do vírus enquanto se encontrou com populares em Brasília.

Segundo Bolsonaro, “o efeito colateral de quarentena muito rígida poderia ocasionar problemas seríssimos, ao ponto da economia não poder recuperar mais”. Bolsonaro reforçou que as consequências econômicas também podem levar à morte e destacou que a decisão de interromper a quarentena “partirá de governadores e prefeitos” .

Governadores e prefeitos

Na porta do Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou que alguns governadores e prefeitos precisam ter humildade em recuar de medidas restritivas impostas por conta da pandemia da covid-19. O presidente é contra o isolamento total de pessoas e ao fechamento de comércios, lojas e shoppings. Ele afirmou que é preciso "enfrentar o vírus' e sair de casa.

Questionado sobre a relação com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), o presidente citou que já havia o encontrado no sábado, 11, durante visita a um hospital de campanha em Águas Lindas (GO).

"Nem no momento mais ácido das suas críticas eu respondi", disse o presidente. Na visita ao hospital, Bolsonaro foi criticado por causar aglomeração ao cumprimentar populares. "Sou do grupo de risco, a vida é minha e tenho de estar do lado do povo", afirmou.

Bolsonaro citou ainda ter dado um "abraço" no governador, que foi o responsável pela indicação de Luiz Henrique Mandetta ao cargo de ministro da Saúde. A demissão de Mandetta foi anunciada hoje de tarde pelo presidente.

O chefe do Executivo disse ainda ter dado o aval para o ministro da Economia, Paulo Guedes, estender o auxílio emergencial de R$ 600, caso seja necessário. Bolsonaro reforçou também que Guedes continua sendo o seu "Posto Ipiranga".

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