Carolina Antunes/PR
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Bolsonaro critica nomeações feitas por Raquel na PGR

Presidente diz ter recebido informações de que procuradora-geral, em fim de mandato, tem feito indicações para cargos a serem preenchidos após sua saída e afirma que isso pode 'pesar' na escolha do próximo chefe do Ministério Público

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2019 | 11h45

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro demonstrou incômodo neste sábado, 31, com informações de que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, tem feito nomeações para cargos no órgão que serão preenchidos a partir de outubro - o mandato dela termina em setembro.

"Supondo que ela não seja reconduzida, vai chegar (um novo procurador-geral da República) num ministério montado, com mandato. Não sei se é legal ou não isso, mas não posso ter um PGR que chega lá e não pode mexer em nada”, afirmou o presidente a jornalistas na porta do Palácio da Alvorada.

Bolsonaro declarou, no entanto, que tem “carinho, consideração e estima” por Raquel, e disse esperar que as notícias sobre as nomeações “não sejam verdade”. “Que vai ter algum peso (na indicação do chefe do Ministério Público) vai, não tem a menor dúvida. Quero um PGR com a bandeira do Brasil em uma mão e a Constituição em outra, não é nada para mim, é para o Brasil”, afirmou.

O presidente ainda voltou a dizer que não quer um “xiita ambiental” na Procuradoria e não deseja alguém que “interfira no corte de cabelo de aluno de colégio militar”.

Segundo a assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral da República, no entanto, Raquel tem feito apenas designações ordinárias da função, como para auxiliares de procuradores regionais eleitoras. Apesar de não terem mandato, os nomes designados costumam ter tempo determinado para atuação. Informou, ainda, que a escolha dos procuradores eleitorais é feita por meio de eleições internas no órgão, que ainda estão em andamento. Quando concluídas, caberá à procuradora-geral da República apenas formalizar estas nomeações.

Vetos

Bolsonaro também disse que atenderá o Ministério da Justiça, a Controladoria Geral da União e a Advocacia Geral da União em relação ao que vetará no projeto de lei do abuso de autoridade. Vou atender o 'centrão do Bolsonaro'”, brincou.

O presidente também comentou a derrubada de seu veto a penas mais duras para quem divulgar fake news nas eleições pelo Congresso Nacional. “Sou a maior vítima de fake news e acho até válido isso, pessoal tem que extravasar”.

Ele criticou a possibilidade de prisão por vários anos e disse que as penas podem ser mais rígidas do que em casos de homicídio. “Um clique vai ser mais grave que um 'teco'”, completou.

Em tom de ironia, ele “agradeceu” ao deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) por ter trabalhado pela derrubada do veto.

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