Reprodução Facebook
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Bolsonaro critica acordo entre TSE e WhatsApp, ataca ministros e fala em censura nas eleições

Presidente participa de 'comício' em Americana, no interior de São Paulo, ao lado de seu pré-candidato ao governo, Tarcísio de Freitas

Davi Medeiros, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2022 | 14h19
Atualizado 15 de abril de 2022 | 17h15

O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta sexta-feira, 15, um acordo firmado entre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o WhatsApp para adiar o lançamento de uma nova ferramenta do aplicativo no País que permite a criação de grupos com milhares de pessoas. Segundo o chefe do Executivo, o trato é “inaceitável”, “inadmissível” e não será cumprido. Ao se referir ao assunto, ele atacou ministros da Corte e falou em censura nas eleições. 

A plataforma de mensagens estuda implementar, nos próximos meses, um recurso chamado “comunidades”, a partir do qual será possível agregar grupos para interagir com milhares de pessoas. Atualmente, o número máximo de participantes de um grupo é 256 pessoas.  Devido ao acordo que firmou com a Corte eleitoral para as eleições deste ano, a empresa se comprometeu a aguardar o segundo turno para lançar essa e outras possíveis novidades no Brasil. O aplicativo foi considerado um dos principais vetores de desinformação no pleito de 2018 e vinha tomando medidas para tentar reduzir esse impacto.  

“Já adianto que isso que o WhatsApp está fazendo no mundo todo, não tem problema, agora, abrir uma excepcionalidade para o Brasil, isso é inadmissível, inaceitável e não vai ser cumprido esse acordo que porventura eles realmente tenham feito para o Brasil, com informações que eu tenho até o presente momento”, afirmou Bolsonaro, em vídeo transmitido pela Jovem Pan.

Procurados, o TSE e o WhatsApp não se manifestaram sobre as críticas do presidente. O Estadão apurou que o compromisso da empresa com o tribunal permanece o mesmo, e não haverá nenhuma mudança significativa no aplicativo no Brasil antes das eleições.

Como mostrou o Estadão, a Corte eleitoral decidiu ainda recorrer a observadores internacionais para aplacar ataques à lisura das eleições deste ano. Sob pressão de Bolsonaro, o TSE disparou diversos ofícios com convites para autoridades e organizações internacionais acompanharem a disputa pelo Palácio do Planalto.

Missão

O presidente disse ainda ocupar o cargo graças a uma "missão de Deus" e voltou a citar o argumento da "liberdade" para condenar ações do Judiciário. "Mais valioso do que a nossa própria vida é a nossa liberdade. Nossa democracia é açoitada diariamente. Nosso direito de ir e vir, a nossa liberdade de pensar e de expressar, a nossa liberdade de culto, isso não tem preço. O Brasil é um País livre e eu farei continuar livre custe o que custar", afirmou, acrescentando que daria "a vida". 

Bolsonaro também reeditou críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário no pleito presidencial de outubro. "Imaginem se no meu lugar estivesse o ladrão petista?", indagou. Em seguida, seus apoiadores começaram a gritar: "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão."

As declarações foram feitas durante a participação do presidente em motociata organizada pelo grupo “Acelera para Cristo”, nesta sexta-feira. Acompanhado de centenas de motoqueiros, o chefe do Executivo percorreu 120 quilômetros da Rodovia dos Bandeirantes, de São Paulo até a cidade de Americana, no interior do Estado.

O ex-ministro da Infraestrutura e pré-candidato ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) também participou do evento. Na chegada a Americana, ambos participaram lado a lado de um "comício" com forte tom eleitoral. Estava presente, ainda, o ex-ministro do Meio Ambiente e pré-candidato a deputado federal Ricardo Salles, que também pretende disputar cargo por São Paulo. 

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