Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro convida governadores para discutir socorro a Estados

Encontro virtual marca tentativa de aproximação do presidente com chefes dos Executivos estaduais

Camila Turtelli e Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2020 | 21h57

BRASÍLIA – Pressionado pela crise política e pela pandemia do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro passou a disparar convites nesta segunda, 18, a governadores para participarem de uma reunião por videoconferência na próxima quinta-feira, 21. De acordo com os chefes dos Executivos estaduais, o chamado foi feito sob o pretexto de discutir a sanção do projeto de socorro aos Estados e municípios e o veto ao trecho do texto que permite o aumento salarial para servidores públicos até 2021.

O Palácio do Planalto ainda não confirmou a agenda, mas 11 governadores, das cinco regiões do País, admitiram ao Estadão/Broadcast terem sido convocados para a reunião às 10h de quinta-feira. Entre eles, os governadores do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB); do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB); do Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), e do Amapá, Waldez Góes (PDT). Desafetos políticos de Bolsonaro, os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, também foram chamados.

O encontro virtual marcará uma tentativa de reaproximação do presidente com os chefes do Executivo nos Estados. Bolsonaro tem feito duras críticas a medidas de distanciamento social decretadas por governadores para conter o avanço da covid-19 e voltou a defender a reabertura do comércio e retorno de atividades nos Estados.

Na semana passada, Bolsonaro disse que pretendia discutir com governadores e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), o veto ao trecho do projeto de auxílio a Estados e municípios que trata de congelar o reajuste de servidores públicos até 2021. “Ele pretende, juntamente comigo, fazer videoconferência com governadores de todo o Brasil e ali sair compromisso no tocante a possível veto ou não de artigos desse projeto”, afirmou Bolsonaro em frente ao Palácio da Alvorada. Maia ainda não confirmou a participação.

O projeto foi aprovado no Senado no dia 6 de maio e ainda não foi sancionado por Bolsonaro. O prazo termina no próximo dia 27. O programa de socorro previsto na proposta destina R$ 60 bilhões aos Estados e municípios para compensação de perdas de receita e ações de prevenção. 

Deputados e senadores pouparam várias carreiras do congelamento de salários no projeto de socorro aos Estados e municípios, principalmente as de segurança, com o aval de Bolsonaro. Depois, o presidente mudou o discurso e disse que vetaria as exceções, da forma como pediu o ministro da Economia, Paulo Guedes. Agora, porém, Bolsonaro quer buscar acordo com o presidente da Câmara e governadores.

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