Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Bolsonaro confirma a jornal de Israel sua intenção de transferir embaixada

Caso medida se confirme, Brasil será o terceiro país a fazer a mudança de Tel Aviv para Jerusalém

O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2018 | 10h43

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) declarou ao jornal israelense Israel Hayom que planeja transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Se o fizer, o Brasil se tornará o terceiro país, depois de Guatemala e dos Estados Unidos, a fazê-lo. Questionado pelo jornal sobre sua intenção de transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, mencionada durante sua campanha eleitoral, Bolsonaro disse que Israel deveria ter liberdade para escolher sua capital.

"Quando me perguntaram, durante a campanha, se eu faria isso uma vez que me tornasse presidente, eu respondia que 'sim, cabe a vocês decidirem qual é a capital de Israel, não a outras nações'", declarou em uma entrevista publicada nesta quinta-feira, 1º, pelo jornal, que tem posição favorável ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Após a vitória de Bolsonaro, Netanyahu disse que isso "levaria a uma grande amizade entre (seus) povos e ao fortalecimento das relações entre Brasil e Israel". Provavelmente, o primeiro-ministro israelense comparecerá à cerimônia de posse de Bolsonaro em janeiro, segundo informou à agência de notícias AFP um funcionário de seu gabinete.

Decisão sensível

A questão da localização das embaixadas em Israel é particularmente sensível. O Estado judeu considera toda a cidade de Jerusalém como sua capital, enquanto os palestinos desejam tornar Jerusalém Oriental a capital do seu futuro Estado. Para a comunidade internacional, o status da Cidade Santa deve ser negociado por ambas as partes e as embaixadas não devem se estabelecer lá até que um acordo seja alcançado.

Israel ocupa Jerusalém Oriental desde a guerra de 1967 e posteriormente a anexou, algo que nunca foi reconhecido pela comunidade internacional. O presidente americano Donald Trump rompeu em dezembro de 2017 com décadas de diplomacia reconhecendo Jerusalém como a capital de Israel.

O presidente palestino, Mahmud Abbas, cortou os laços com o governo Trump. / AFP

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