REUTERS/Adriano Machado
REUTERS/Adriano Machado

Bolsonaro compara Presidência com casamento e cita quatro, oito anos ou ‘quem sabe mais tempo’

Presidente fez declaração durante evento da Aliança pelo Brasil, sem esclarecer exatamente o que quis dizer com 'mais tempo'

Fabrício de Castro e Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2020 | 13h38

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro comparou neste sábado, 18, o exercício de seu cargo com um casamento, de quatro, oito anos, ou “por mais tempo”. Durante evento da Aliança pelo Brasil, em Brasília, Bolsonaro afirmou que a Presidência “não é uma lua de mel”.

“É um casamento de quatro ou oito anos. Ou, quem sabe, por mais tempo, lá na frente”, afirmou, sem esclarecer exatamente o que queria dizer com “mais tempo”.

Segundo Bolsonaro, neste “casamento”, os “fins serão o bem estar deste povo”. “Eu já passei dos 60 (anos). A gente começa a não pensar de maneira diferente. A pensar com os pés do chão. O que nós queremos deixar para quem vem depois? O que eu quero deixar para a minha filha Laura?”, afirmou durante discurso para uma uma plateia de simpatizantes e colaboradores do partido que está em formulação.

Durante a fala, o presidente também fez referências indiretas a sua relação com seu antigo partido, o PSL. “Como disse, é pesado. Decepções, ingratidões, gente que se revela depois que assume o poder, gente que pede cargo e responde: ‘você já teve um cargo acima do nosso nome, o seu mandato’”, citou o presidente. “Mas nem isso satisfez uma parte daqueles que chegaram conosco para ocupar a Câmara e o Senado Federal”, acrescentou.

A fala de Bolsonaro remete às desavenças com o deputado federal Luciano Bivar (PE), presidente do PSL, partido pelo qual Bolsonaro foi eleito para a Presidência da República, no ano passado.

Em outubro do ano passado, Jair Bolsonaro chegou a acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) para pedir o afastamento de Bivar do comando do PSL e a suspensão dos repasses ao partido de recursos públicos do Fundo Partidário. Ao se referir a Bivar, o presidente já disse que o deputado "está queimado para caramba". No centro da disputa, está um quinhão de R$ 110 milhões, valor do Fundo Partidário previsto para o PSL só neste ano.

O presidente afirmou no evento do Aliança que não existe “satisfação maior” do que ser bem recebido em qualquer lugar do Brasil. “Tenho compromisso com vocês, com a pátria e com Deus acima de tudo”, disse.

Economia. Bolsonaro aproveitou o discurso para destacar que o governo “deu um grande passo” em 2019 e que a economia “vem reagindo”. “Os números estão aí. Logicamente, vem com uma parcela de sacrifício”, afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.