Adriano Machado/Reuters
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Bolsonaro compara coronavírus a gravidez: ‘Vai passar, um dia vai nascer a criança’

Presidente diz que vírus chegaria ao Brasil um dia, mas volta a falar que não pode haver uma ‘histeria’ no País

Emilly Behnke e Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 19h46

BRASÍLIA –  O presidente Jair Bolsonaro comparou a pandemia de coronavírus com uma gravidez ao dizer que eventualmente o avanço do vírus deve passar. “Vai passar, desculpa aqui, é como uma gravidez, um dia vai nascer a criança. E o vírus ia chegar aqui um dia e acabou chegando”, declarou.

O presidente voltou a falar que não pode haver no país uma “histeria”, pois as consequências seriam as “piores possíveis”. “Tem locais, alguns países que já tem saques acontecendo. Isso pode vir para o Brasil. Pode ter um aproveitamento político em cima disso”, comentou.

Sobre a possibilidade do sistema de saúde não conseguir a atender a população, Bolsonaro afirmou que “todos os hospitais das forças armadas estão se preparando”.

O presidente afirmou ainda que mais pessoas podem morrer por conta de uma economia parada do que pelo novo coronavírus. “Vai morrer muito mais gente fruto de uma economia que não anda do que do próprio coronavírus”, disse. O presidente tem criticado medidas de paralisação de atividades como a suspensão de campeonatos de futebol. 

Ele voltou a citar as ações de governadores que decretaram medidas restritivas em seus estados por conta da covid-19. “Eu não quero criticar nenhum governador, uns estão tomando medidas positivas, outros, no meu entender, estão se excedendo”, disse.

Voucher para quem está na economia informal

Sem dar detalhes, o presidente informou ter conversado com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre um tipo de voucher para pessoas inseridas na economia informal. “O que o Guedes falou para mim hoje é que a economia informal, que vive da informalidade, teria uma ajuda por algum tempo, algo parecido com um voucher”, disse.

“Está faltando definir o montante e como você vai organizar esse pagamento. Então, essa possibilidade está na mesa”, afirmou. O presidente destacou o desemprego motivado pela falta de procura ao setor de serviços, como bares e restaurantes, que sofrem com as medidas de isolamento por conta do coronavírus. “Muita gente não está saindo a noite, não vai almoçar fora para evitar contato, isso leva ao desemprego.”  

“Temos que nos preocupar sim, sempre disse isso, mas não com esse alarmismo. Vamos passar por isso”, acrescentou. 

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