Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsonaro come pastel em feira popular de Brasília

Responsável pela articulação política, Luiz Eduardo Ramos acompanhou agenda surpresa em dia movimentado no Congresso; 'Se caducar, caducou' diz presidente sobre MP

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2019 | 19h02

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro visitou uma movimentada feira de produtos populares, em Brasília, na tarde desta quarta-feira, 4, onde comeu dois pastéis de queijo e fez selfies com apoiadores. A presença de Bolsonaro causou tumulto na Feira dos Importados, conhecida como “feira do Paraguai”.

A ida do presidente não estava prevista na agenda pública. A segurança do Palácio do Planalto teve de se desdobrar para isolar Bolsonaro da multidão. 

“Tive informações, na questão econômica, que o número de pessoas vindo aqui é muito grande. É sinal de que a economia está reagindo. Sentimos o povo também. Para críticas ou elogios. Graças a Deus, não houve crítica nenhuma”, disse o presidente. 

Articulação política

O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, acompanhou Bolsonaro na feira. Ramos é responsável pela articulação política do Palácio do Planalto e costuma receber parlamentares em dias de grande movimentação no Congresso, como uma quarta-feira. Nesta semana, o governo viu caducar uma medida provisória (MP) que desobriga empresas de publicar balanços no Diário Oficial da União (DOU) e em jornais de grande circulação. 

Questionado sobre a tramitação da MP do Programa Verde Amarelo, que muda regras trabalhistas, Bolsonaro declarou: “Se caducar, caducou, não tem mudança, não vai ter”. No dia 29, a consultoria do Senado declarou a inconstitucionalidade do ponto central da MP que cria o programa: a isenção de contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de empresas que contratarem jovens entre 18 a 29 anos. 

Na saída do evento, o presidente voltou a defender extinguir multa a quem não transportar crianças em cadeirinhas em automóveis, medida prevista em projeto de lei do Poder Executivo. “Não precisa de lei para isso. Eu sempre botei, independente de lei. Igual cinto de segurança: sempre usei, independente de lei. Então, muita lei atrapalha”, acredita. 

Bolsonaro voltou a falar que fez acordo com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), para votar na próxima semana alterações na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), como aumentar a 40 o número de pontos para perder o documento. 

Sobre MP que trata da extinção do seguro obrigatório Danos Pessoais por Veículos Automotores Terrestres (Dpvat), o presidente disse que a tramitação está nas mãos de Maia. “Eles vão ver (na Câmara) o que é melhor. Se caduca, altera, aperfeiçoa. O que queremos é tirar Estado de cima da população”, disse.

Aplausos e protestos isolados

A maioria dos consumidores da feira reagiu em apoio a ele com gritos de “mito”, “ele sim” e “Lula na cadeia”. Houve protestos isolados que pediam para diminuir o preço da carne, reclamavam sobre direitos trabalhistas e chamavam Bolsonaro de “miliciano”.

O presidente disse que a tendência é que a economia cresça em 2020. “Tendência é essa. Tenho tido contato com empresários também. Não só com o povo. Eles estão felizes. A grande importância disso tudo, grande causa disso tudo é que estamos retomando a confiança”, afirmou.

Bolsonaro disse que daria “emprego” como presente de Natal à população. “Melhor programa social que pode existir é esse”, afirmou. A taxa de desempregados ficou em 11,6% no trimestre móvel terminado em outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira, 29, ante a 11,7% registrados um ano antes. O total de desempregados ainda é de 12,367 milhões, contingente 0,5% maior do que o contabilizado um ano antes. 

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