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Bolsonaro come churrasquinho em via de Brasília e é abordado por apoiadores

Em vídeo publicado nas redes sociais, presidente escreveu que no Brasil são 38 milhões de trabalhadores informais. ‘Volta ao trabalho, o melhor remédio’

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2020 | 22h03

BRASÍLIA – Após encerrar o expediente no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro parou nesta segunda-feira, 10, em uma via pública para comer churrasquinho de um vendedor ambulante em Brasília. Um vídeo divulgado em suas redes sociais mostra o presidente sem máscara, cercado por apoiadores que se aproximam para conversar e tirar fotos.

A atitude do chefe do Executivo contraria decreto publicado pelo governo do Distrito Federal, que obrigou o uso de máscaras de proteção facial em todos os espaços públicos, sob pena de multa de R$ 2 mil. 

Não é a primeira vez, porém, que o presidente descumpre a determinação e comparece a locais públicos sem o equipamento de proteção, recomendado pelo próprio Ministério da Saúde como forma de se evitar a propagação da covid-19.

Tanto é que, em junho, o juiz federal Renato Borelli, da 9ª Vara Cível do Distrito Federal determinou que o equipamento de proteção “em todos os espaços públicos, vias públicas, equipamentos de transporte público coletivo e estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços do Distrito Federal”, sob pena de multa diária de R$ 2 mil.

Segundo o magistrado, o presidente “possui obrigação constitucional de observar as leis em vigor no País, bem como de promover o bem geral da população, o que implica em adotar as medidas necessárias para resguardar os direitos sanitários e ambientais dos cidadãos, impedindo a propagação” do novo coronavírus.

Procurado, o Palácio do Planalto não se manifestou sobre a ausência de máscara do presidente até a publicação desta notícia.

Bolsonaro: ‘Volta ao trabalho, o melhor remédio’

Na publicação, além do vídeo, Bolsonaro escreveu que no Brasil são 38 milhões de trabalhadores informais. “Volta ao trabalho, o melhor remédio”, completou o presidente.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro tem minimizado a doença, que já chamou de “gripezinha”, e adotado um discurso crítico a medidas tomadas por prefeitos e governadores para incentivar o distanciamento social, considerada a forma mais eficaz de se evitar a propagação do vírus. O presidente defende a reabertura de comércios e outras atividades sob o argumento de que é preciso preservar empregos.

No Distrito Federal, primeiro a fechar escolas, shoppings e lojas por causa da pandemia, as atividades comerciais, incluindo bares e restaurantes, foram liberadas desde o mês passado.

O País registrou nesta segunda-feira, 10.721 mortes e 20.730 novas infecções de coronavírus, segundo dados do levantamento realizado pelo Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL com as secretarias estaduais de Saúde. Apenas o Paraná não divulgou o balanço nesta segunda-feira, 10. No total, 101.857 vidas já foram perdidas por causa da covid-19.

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