Willian Moreira/Futura Press/Estadão Conteúdo
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Bolsonaro classifica fala de Arthur do Val sobre mulheres ucranianas de 'asquerosa'

Presidente disse que postura do deputado estadual 'não merece comentários', mas o próprio Bolsonaro tem histórico de declarações sexistas

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2022 | 15h56
Atualizado 06 de março de 2022 | 22h21

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro classificou a fala do deputado estadual Arthur do Val (Podemos-SP) sobre mulheres ucranianas como "asquerosa".

"É tão asquerosa que nem merece comentário", disse o presidente em frente ao Palácio da Alvorada, neste domingo, 6, conforme mostrou a CNN.

O parlamentou enviou mensagens por áudio a amigos no WhatsApp com declarações ofensivas a mulheres ucranianas, dizendo que elas são "fáceis porque são pobres".

O comentário causou reação em diversos grupos políticos, incluindo no Podemos, partido que pretendia lançar Arthur do Val como candidato ao governo paulista.

O deputado deve ser investigado pela Assembleia Legislativa de São Paulo, onde colegas apresentaram representações pedindo a cassação do mandato.

Histórico

O próprio presidente Bolsonaro, porém, tem um longo histórico de declarações sexistas ou de cunho machista. Ao descrever o nascimento de sua filha caçula - ele tem outros quatro filhos homens -, se referiu a Laura como resultado de uma "fraquejada". Em 2014, durante discussão no plenário da Câmara dos Deputados, ele disse que “não estupraria” a deputada Maria do Rosário (PT-RS), porque “ela é muito feia” e “não merece”. 

Cinco anos depois, já como presidente, Bolsonaro disse que o Brasil não poderia ser o país do turismo gay. Entretanto, na sequência afirmou a jornalistas, durante um café da manhã: “Quem quiser vir aqui (ao Brasil) fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”. 

Em 2020, ele atacou a repórter da Folha de S. Paulo Patrícia Campos Mello ao dizer que ela queria “dar o furo”. Furo é um jargão jornalístico para uma notícia em primeira mão. A fala do presidente fazia referência ao depoimento de Hans River à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, quando ele insultou a repórter alegando que ela havia se insinuado para ele em troca de informações sobre o uso de disparos de mensagens em massa na campanha eleitoral. Reportagem posterior deixou claro que River mentiu.

 

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