EFE/ Joédson Alves
EFE/ Joédson Alves

Bolsonaro chama manifestantes contra seu governo de ‘terroristas’

Ao comparar atos no Brasil e nos EUA, presidente diz que racismo americano é diferente do que ocorre no País: 'está mais na pele'

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2020 | 13h22

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro chamou manifestantes contrários ao seu governo de "marginais" e "terroristas" ao comparar, na noite de terça-feira, 2, os atos realizados nos últimos dias no Brasil e nos Estados Unidos. Segundo o presidente, os protestos por aqui têm motivações políticas, diferentemente do que ocorre no país norte-americano, que teve como estopim a morte de um homem negro por um policial branco. Para Bolsonaro, o racismo lá é "diferente", pois "está mais na pele". 

"Começou aqui com os antifas (movimento antifacista) em campo. O motivo, no meu entender, político, é diferente. (Aqui) são marginais, no meu entender, terroristas", disse Bolsonaro em frente ao Palácio da Alvorada. As declarações foram divulgadas por apoiadores no YouTube.

Bolsonaro lamentou a morte de George Floyd, um homem negro de 46 anos assassinado por um policial branco, que desencadeou a série de protestos antirracistas em várias cidades norte-americanas.

"Lá (nos Estados Unidos) o racismo é um pouco diferente do Brasil. Está mais na pele. Então, houve um negro lá que perdeu a vida. Vendo a cena, a gente lamenta. Como é que pode aquilo ter acontecido? Agora, o povo americano tem que entender que, quando se erra, se paga", afirmou. "Agora, o que está se fazendo lá é uma coisa que não gostaria que acontecesse no Brasil. Logicamente que qualquer abuso você tem que investigar e, se for o caso, punir. Agora, este tipo de movimento, nós não concordamos", emendou o presidente.

Nesta semana, Bolsonaro compartilhou uma publicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que dizia que o país iria designar a Antifa, abreviação de antifascismo, como uma organização terrorista. Um projeto protocolado na segunda-feira pelo deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), aliado do governo, também prevê enquadrar movimentos antifascismo como "terrorismo".

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