Foto: Dida Sampaio / Estadão
Foto: Dida Sampaio / Estadão

Bolsonaro admite interferência no Iphan e chama Fachin de 'leninista'

Presidente também afirmou que, se eleito, terá 40% do Supremo Tribunal Federal a seu favor

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2021 | 21h05
Atualizado 16 de dezembro de 2021 | 07h34

Ao participar hoje de evento com empresários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o presidente Jair Bolsonaro admitiu que trocou a direção do Instituto de Patrimônio Histórico e artístico Nacional  (Iphan) após receber uma reclamação do amigo e apoiador Luciano Hang, dono da Havan, que teve uma obra paralisada devido a um achado arqueológico no local, em Rio Grande (RS). 

Bolsonaro já havia dito isso numa reunião ministerial em abril. 

"Tomei conhecimento que uma obra... Uma pessoa conhecida, Luciano Hang, estava fazendo mais uma loja [da Havan] e apareceu um pedaço de azulejo durante as escavações. Chegou o Iphan e interditou a obra. Liguei para o ministro da pasta, né? 'Que trem é esse?', porque eu não sou tão inteligente quanto meus ministros. 'O que é Iphan?', com 'ph'. Explicaram para mim, tomei conhecimento e ripei todo mundo do Iphan", disse Bolsonaro na Fiesp.

No mesmo evento, o chefe do Planalto disse que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin é “trotskista, leninista” por voto contrário à tese de ‘marco temporal’, posição considerada favorável aos povos indígenas. 

“'O Fachin votou pelo novo marco temporal, não é novidade. Trotskista, leninistas. Kassio empatou. Vista está com o nosso Alexandre de Moraes. Não sei qual vai ser o voto dele, ou quando vai ser.  Se perdermos, eu vou ter que tomar uma decisão porque eu entendo que esse novo marco temporal, simplesmente, enterra o Brasil”, afirmou. O julgamento está parado no Supremo a pedido do ministro Alexandre de Moraes.

Bolsonaro também destacou que quem se eleger presidente, no ano que vem, terá direito a indicar dois nomes para o Supremo. “Vamos supor que eu seja candidato. Eu vou ter 40% a meu favor dentro do Supremo. A favor de mim ou de minhas ideias, que vocês já conhecem quais são”, disse. Até agora, Bolsonaro já emplacou dois ministros na Corte: Kassio Marques e André Mendonça, cuja posse está marcada para amanhã, 16, no STF. No cálculo, Bolsonaro considera as aposentadorias previstas de Ricardo Lewandowski e Rosa Weber em 2023.

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