Bolsonaro avalia recriar pasta da Cultura para abrigar Regina Duarte

Governo avalia que o nome da atriz exige um status maior, como o de um ministério, e não de uma secretaria

Mateus Vargas e Tânia Monteiro - O Estado de S.Paulo

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BRASÍLIA – Para abrigar a atriz Regina Duarte no governo federal, o presidente Jair Bolsonaro avalia recriar o Ministério da Cultura, segundo interlocutores do Planalto. A leitura do governo é que o nome da atriz é muito reconhecido para um status de secretaria, que era comandada até sexta-feira, 17, pelo dramaturgo Roberto Alvim. Ele foi demitido do cargo após protagonizar um vídeo com referências ao nazismo.

Bolsonaro e Regina Duarte devem se encontrar nesta segunda-feira, 20, no Rio de Janeiro. O presidente já tinha agendas marcadas na capital fluminense – às 10h, ele se encontra com o prefeito Marcelo Crivella. Segundo uma fonte que acompanha as discussões para sucessão no comando da Cultura, Bolsonaro e a atriz combinaram um encontro pois querem uma “conversa olho por olho”. A interlocutores, Bolsonaro disse que a atriz pretende entender o que o presidente espera dela, caso aceite o cargo. 

Jair Bolsonaro e Regina Duarte em visita da atriz ao presidente em outubro de 2019  Foto: Facebook/Jair Bolsonaro

Bolsonaro considera que Regina foi “humilde” ao afirmar que não está preparada para comandar a cultura no governo federal. Ele comparou a frase da atriz com as próprias falas, pois já disse não ser o melhor nome a presidente, segundo a mesma fonte. Para Bolsonaro, não é um problema que Regina já tenha feito críticas ao governo, uma vez que todos teriam o direito a divergir.

A recriação do Ministério da Cultura pode ser feita por meio de Medida Provisória (MP), que passa a valer quando é publicada no Diário Oficial, mas precisa de aval do Congresso Nacional para seguir em vigor. Em 2019, os deputados rejeitaram uma emenda para recriar este ministério, apresentada sobre a MP que estruturou a administração do governo Bolsonaro, rebaixando o status da pasta de Cultura.

Fontes do governo da área afirmam que ainda está indefinido se apadrinhados de Alvim serão mantidos. Sérgio Camargo, que disse existir um “racismo nutella” no Brasil e teve nomeação à Fundação Palmares suspensa pela Justiça, é um destes nomes trazidos pelo dramaturgo a Brasília. Segundo um integrante da Secretaria de Cultura, estão todos “assistindo de camarote” ao bombardeio a Alvim. 

Atualmente, a Secretaria de Cultura está vinculada ao Ministério de Turismo, comandado por Marcelo Álvaro Antônio, suspeito de desviar dinheiro de verba partidária nas eleições de 2018. Se a pasta permanecer com esse status, Regina será subordinada diretamente a ele.

Ator Carlos Vereza é ‘plano B’ do governo

A ideia do governo é levar um nome reconhecido no meio cultural para assumir o posto, nos moldes da indicação de Gilberto Gil para o Ministério da Cultura no governo Lula. Caso Regina não aceite o convite, uma das opções cotadas é o ator Carlos Vereza. Procurada, a assessoria de Regina afirmou que ela não pode se manifestar até segunda-feira.

Na noite deste sábado, Bolsonaro foi ao portão do Palácio da Alvorada para cumprimentar apoiadores após receber o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. Aos jornalistas, quando questionado sobre Regina, o presidente disse apenas “namoradinha do Brasil”, em referência ao apelido da atriz.

Neste sábado, a reunião do Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro pretende criar, foi encerrada com uma oração feita pela pastora Rosa Martins. Para o momento religioso, o pastor Laurindo Shalon, coordenador da Associação Internacional Cristã Amigos Brasil-Israel (Haverimbril), foi chamado para se posicionar ao lado do presidente.

“O presidente é uma pessoa sábia. Foi sensível ao anseio da sociedade como um todo. Demonstrou o amor que ele tem para com Israel, para com a comunidade judaica brasileira. Quando alguém se manifestou daquela forma, trouxe a memória da carnificina, do holocausto”, comentou o pastor, em entrevista. A comunidade judaica pressionou pela demissão de Alvim.

Já o ministro do GSI, Augusto Heleno, elogiou a reação da sociedade contra o vídeo de Alvim. “Mostra uma face da convicção e do apego de nosso povo à democracia e às liberdades individuais”, disse.

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