Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsonaro escolhe ex-ministro Osmar Terra para liderança do governo na Câmara

Assessoria de Vitor Hugo, atual ocupante do cargo, nega a mudança para abrigar o emedebista demitido do Ministério da Cidadania

Jussara Soares e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2020 | 10h26
Atualizado 19 de fevereiro de 2020 | 19h50

BRASÍLIA – Demitido do Ministério da Cidadania, o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) pode se tornar solução do governo para melhorar a interlocução com o Congresso. O presidente Jair Bolsonaro  entregará a ele a liderança do governo na Câmara, segundo aliados do Palácio do Planalto ouvidos pela reportagem. Uma vez oficializado, ele substituirá o deputado Vitor Hugo (PSL-GO), que exerce atualmente a função. Nos últimos dias, o chefe do Executivo consultou parlamentares e auxiliares sobre a mudança. A assessoria de Vitor Hugo nega a troca.

Além de Vitor Hugo, são atualmente escalados para exercer a função os senadores Eduardo Gomes (MDB-TO), líder no Congresso, e Fernando Bezerra (MDB-PE), no Senado. Terra será o terceiro emedebista. Os líderes trabalham em contato constante com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, articulador político do Palácio do Planalto.

O líder do governo tem papel fundamental na negociação de projetos de interesse do Executivo no Congresso e, em alguns casos, ganham status semelhantes a de um ministro pela linha direta que possui com o presidente. O ex-senador Romero Jucá (MDB-RR), por exemplo, se tornou célebre ao exercer o cargo nas gestões dos últimos três presidentes - Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer – e antecipar medidas e decisões do governo.

A ideia de Bolsonaro em escalar Terra seria dar a ele esse mesmo status, com a vantagem de ter um parlamentar experiente na função – o ex-ministro da Cidadania está em seu quarto mandato na Câmara. Vitor Hugo, por sua vez, está no primeiro.

O atual líder da Câmara é tido como um nome com pouca interlocução com as lideranças da Casa. De perfil técnico, tem pouco traquejo político e poucas vezes teve voz nas decisões do Parlamento no ano passado. É, no entanto, um homem de confiança de Bolsonaro e chegou a se fortalecer recentemente ao articular a liderança do PSL para Eduardo Bolsonaro.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, Terra já estaria se preparando para assumir a função depois do carnaval, embora, o governo ainda não tenha feito um convite oficial ao ex-ministro nem ao comando do MDB.

Durante a posse do novo ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, nesta terça-feira, 18, Bolsonaro sinalizou confiança em Terra, demitido na semana passada. Em seu discurso, o presidente comparou o governo a um tabuleiro de xadrez e disse que “nenhuma peça será deixada de lado”.

“Quero começar agradecendo trabalho do ministro Osmar Terra, meu velho colega de Parlamento brasileiro, uma liderança ímpar, uma competência invejável. Se hoje mexemos no tabuleiro de xadrez, a certeza é que nenhuma peça será deixada de lado”, disse.

Bolsonaro seguiu sua fala dirigindo-se ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). “Davi Alcolumbre, precisamos fortalecer o nosso relacionamento, assim como vocês para conosco. Osmar Terra nos ajudará e muito nessa missão. Ele sai do ministério como um vitorioso”, disse o presidente que ele e Terra continuarão “mais que amigos, unidos pelo destino do nosso Brasil.”

Demitido do governo, Terra esteve presente na cerimônia que deu posse ao ex-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, como titular do Ministério da Cidadania. A presença dos exonerados não é uma praxe. E o ex-ministro ainda fez um discurso de cerca de dez minutos elogiando o governo Bolsonaro. 

Segundo interlocutores, Terra ao ser demitido adotou uma postura resignada, pois tinha objetivo de assumir alguma função do governo no Congresso. Ao ser comunicado do seu desligamento, Bolsonaro ofereceu ao ex-ministro um posto de embaixador, mas a proposta foi rejeitada porque implicaria na perda de mandato. 

Na volta à Câmara na segunda-feira, 17, o ex-ministro disse que está à disposição dos colegas para ajudar na interlocução com o governo.

Resistência no Congresso

A estratégia de Bolsonaro em escalar Terra como líder do governo, no entanto, pode não ser a ideal para melhorar a interlocução entre Executivo e Legislativo. 

Na avaliação de alguns líderes de bancada, Terra não manteve um bom relacionamento com o Congresso durante sua gestão no Ministério da Cidadania. Parlamentares relataram dificuldade de agenda com o então ministro. Sua postura quando estava no primeiro escalão pode dificultar seu relacionamento agora no chão do Parlamento.

Vitor Hugo nas Relações Exteriores

Com sua possível saída da função de líder do governo na Câmara, o deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), poderia assumir o comanda da Comissão de Relações Exteriores, hoje nas mãos do filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Essa possibilidade tem sido tratada em conversas com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, que recebeu o deputado Osmar Terra (MDB-RS) em seu gabinete nessa tarde, segundo fontes.

A avaliação é que Vitor Hugo tem experiência na área de relações exteriores e poderia auxiliar em pautas de interesse do governo.

Eduardo não pode se reeleger no colegiado de acordo com o regimento, mas ainda não é certo de que a comissão permanecerá nas mãos do PSL e nem na ala do partido que apoia o presidente.

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