Reprodução Youtube
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Bolsonaro ataca Lula e presidente do BNDES diz que charutos foram garantia de empréstimo a Cuba

Em live, Bolsonaro e o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, comentaram casos de mau uso de dinheiro público no banco, durante governos petistas, entre os quais o episódio em que Cuba deu charutos ao Brasil como garantia de um empréstimo

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2022 | 22h31

O presidente Jair Bolsonaro (PL) destinou grande parte de sua transmissão ao vivo nas redes sociais desta quinta-feira, 27, para atacar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas de intenção de voto para o Palácio do Planalto.  Bolsonaro escalou o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, para comentar casos de mau uso de dinheiro público no banco, durante governos petistas, entre os quais o episódio em que Cuba deu charutos ao Brasil como garantia de um empréstimo.

Segundo Montezano, o BNDES emprestou R$ 3,6 bilhões para Cuba e obteve charutos como garantia. "Cuba deixou em garantia recebíveis de venda de charuto doméstico. Se não pagasse, o governo brasileiro iria lá em Cuba penhorar a venda de charuto", afirmou o presidente do BNDES na live. O negócio teria ocorrido em 2010. 

Bolsonaro e Montezano também citaram empréstimos concedidos à JBS, que teria usado a verba para financiar campanhas eleitorais. "Foram fantásticos em obras fora do Brasil, em especial (para) ditaduras", disse o presidente sobre programas de crédito em governos petistas. “Eu tenho certeza que o BNDES fez coisa além do que deveria fazer como, por exemplo, obras no exterior. Eu vou citar algumas obras aqui: Angola, Cuba, Equador, Venezuela. Que tipo de obras? Hidrelétricas. Temos problema de hidrelétrica. Poderia ter feito essas obras no Brasil, mas foi feito fora”, completou. O chefe do Executivo admitiu, porém, que não abriu a "caixa preta" do banco, como prometera na campanha de 2018.

Na transmissão ao vivo pelas redes sociais, Bolsonaro também afirmou que irá ao Rio Grande do Norte, na primeira semana de fevereiro, para inaugurar a última fase da transposição do Rio São Francisco. O presidente estará ao lado do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, pré-candidato ao Senado. 

Como mostrou o Estadão, Bolsonaro aposta na transposição do São Francisco para ajudar a alavancar sua popularidade no Nordeste. Não é à toa que a “paternidade” da megaobra de infraestrutura é disputada não só por Bolsonaro, mas também por Lula e pelo ex-ministro Ciro Gomes (PDT). Os três são pré-candidatos à Presidência.

A transposição teve início no governo Lula, com Ciro como ministro da Integração Nacional. A conclusão da obra, no entanto, só deve ocorrer em 2024.

Bolsonaro encerrou a live sem citar a intimação expedida no início da noite pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que preste depoimento nesta sexta-feira, às 14 horas, na Polícia Federal. O presidente é investigado no inquérito que apura o vazamento de dados sigilosos da Polícia Federal durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais promovida por ele, no ano passado.

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