Bolsonaro apresenta representação contra Chico Alencar

Deputado quer que ele preste esclarecimentos à corregedoria da Casa sobre o uso de verba indenizatória

Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo,

12 de março de 2009 | 18h17

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) protocolou nesta quinta-feira, 12, na Mesa Diretora da Câmara, representação contra o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), pedindo que ele preste esclarecimentos à corregedoria da Casa sobre o uso da verba indenizatória para pagar trabalhos de consultoria contratados do colega de partido e ex-deputado João Alfredo Telles Melo. Ao longo de 2007 e 2008, Alencar gastou R$ 49.750 com serviços prestados pela empresa Eco Social Consultoria, de propriedade de João Alfredo, a seu gabinete parlamentar.

 

"Estou agindo como amigo do Chico Alencar, dando-lhe a oportunidade de mostrar que não deve nada", justificou Bolsonaro, convencido de que "é esquisito pegar voto no Rio de Janeiro" e contratar serviços de uma empresa do Ceará. "Ele explicando, acaba a dúvida", emendou.

 

Na verdade, porém, Bolsonaro aproveitou a oportunidade para dar o troco ao conterrâneo, que também já representou contra ele, ainda nos tempos em que era filiado ao PT. "Lá atrás, ele pediu minha cassação só porque eu meti o pau no PT", conta Bolsonaro, que alega não se recordar dos termos exatos das críticas que fez ao ex-partido do deputado, na época do escândalo do mensalão.

 

Foram 19 meses de contrato, ao custo médio mensal de R$ 2, 6 mil. No período, o ex-parlamentar do PSOL estava sem mandato. No ano passado, Alfredo foi eleito vereador e, desde que tomou posse na Câmara Municipal de Fortaleza, os serviços foram suspensos.

 

Alencar defendeu-se afirmando que não há qualquer ilegalidade na contratação e que a empresa de Alfredo é uma referência no setor ambiental, agrário e de direito público. "A empresa não é propriedade do político João Alfredo. A consultoria foi extremamente útil e prestada rigorosamente dentro dos limites que a verba indenizatória comporta", disse Alencar. "Não é por ser do PSOL que vai ser vetado nessa área", completou o deputado, que divulga a sua prestação de contas com verba indenizatória desde 2008.

 

As normas de uso da verba indenizatória não fazem restrição à contratação de serviços ou realização de compras em empresas ou estabelecimentos de propriedades de deputados, de parentes ou outras pessoas ligadas aos parlamentares. As prestações de contas são sigilosas e vão se tornar públicas a partir de abril.

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