Dida Sampaio
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Bolsonaro anuncia no Facebook ter protocolado pedido de impeachment de Dilma

Deputado filiado ao PP, sigla que está na mira do escândalo de desvios na Petrobrás, divulgou que já protocolou o pedido para destituir a presidente, que precisa ser avaliado ainda pelo Congresso

ANA FERNANDES, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2015 | 21h04

São Paulo - Filiado ao PP, sigla com o maior número de políticos investigados pela Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) publicou nesta quinta-feira, 12, em sua conta no Facebook uma foto em que aparece com o dedão para cima, em sinal de positivo para seus seguidores, informando ter protocolado um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

"Os fatos que levaram a cassação do ex-presidente Fernando Collor são bem menos graves e inconsistentes que os imputados à Sra. Dilma Rousseff", comentou na postagem.

O pedido, datado de quinta, tem que ser aceito pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para ser apreciado no Congresso Nacional. No documento, Bolsonaro pede que Dilma perca o cargo de presidente por denúncia de crime de responsabilidade. Apesar de seu partido ser da base governista, Bolsonaro atua como sendo da oposição e se envolve em episódios públicos de embate com petistas, como a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Ele também, que é militar da reserva, é autor de diversas falas polêmicas de defesa à ditadura.

Logo no primeiro item de considerações do pedido de impeachment que protocolou, Bolsonaro já faz uma deferência à ditadura militar. "A história recente da democracia brasileira, garantida durante a necessária intervenção dos governos militares e mantida pelo livre exercício político dos representantes eleitos do povo, registra a destituição de um mandatário do Poder Executivo por crime de responsabilidade."

Na sequência ele apresenta itens de argumentação de que o caso Collor tinha menor gravidade que a situação de Dilma, acusando-a de "evidente estelionato eleitoral e recorrentes atos de improbidade administrativa". O pedido diz ainda que a presidente está vinculada ao partido que está há 12 anos no poder com a "compra da fidelidade de aliados" no Legislativo e com "programas sociais que escravizam e corrompem o eleitor".

Bolsonaro acusa a presidente Dilma de incompetência e leniência ao permitir a "malversação de recursos públicos" no escândalo de corrupção da Petrobrás. Apesar das críticas, o parlamentar é filiado ao partido que tem 30 dos 50 investigados pela Lava Jato nos pedidos d procurador-geral da República Rodrigo Janot ao Supremo e ao STJ.Segundo o dolerio Alberto Youssef, alvos da operação e que fez delação premiada, a sigla exigia de R$3 a R$ 4 milhões em propinas do esquema da Petrobrás todo mês.

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