(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Bolsonaro anuncia general para Secretaria de Governo

Carlos Alberto dos Santos Cruz, que é general da reserva, já havia sido indicado para secretaria na Justiça após comandar missões da ONU

Tânia Monteiro e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2018 | 11h11
Atualizado 26 Novembro 2018 | 22h52

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, anunciou nesta segunda-feira, 26, que o general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz vai assumir a Secretaria de Governo, que tem entre as suas atribuições a articulação política com o Congresso. Santos Cruz será o terceiro militar com posto relevante no Palácio do Planalto. O general é amigo de longa data de Bolsonaro – integrou sua equipe de pentatlo militar nos anos 1980 – e já exerceu papel de comandante das tropas de paz da ONU no Congo e no Haiti.

Em entrevista ao Estado, o general disse não ver problema em assumir esta função, acrescentando que “não irá trombar” com o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que estava designado para a negociação entre governo e Congresso.

A escolha de Santos Cruz foi entendida como uma maneira de ajudar a introduzir no governo “uma nova forma de entendimento com os parlamentares”, conforme afirmou ao Estado um dos integrantes da equipe de Bolsonaro. 

O presidente eleito tem dito que seu governo não vai adotar o chamado “toma lá, dá cá” na relação com os parlamentares. Essa ideia estaria casada com o modelo de escolha dos ministros “políticos” de Bolsonaro – o futuro governo, até o momento, tem ignorado os “caciques” dos partidos e buscado indicações nas chamadas “bancadas temáticas” do Congresso.

No entanto, ainda há dúvidas sobre as atribuições do general. A decisão de Bolsonaro causou agitação no entorno de Onyx, que está ameaçado de perder a coordenação de governo – responsabilidade hoje da Casa Civil – para o vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão. Uma das justificativas para isso era exatamente liberar Onyx para a articulação com os parlamentares.

Em várias oportunidades, o próprio Onyx já havia dito que a Secretaria de Governo seria incorporada pela Casa Civil. A secretaria atualmente possui status de ministério. Ao anunciar pelo Twitter a escolha de Santos Cruz, Bolsonaro não deixou claro se a pasta da articulação política manterá o padrão de ministério. 

Santos Cruz disse que vai conversar com o presidente eleito após uma viagem marcada para Bangladesh. Por enquanto, lembrou que a Secretaria de Governo faz articulação não só com parlamentares, mas também com governadores, prefeitos e representações da sociedade civil.

Homem de total confiança de Bolsonaro, o general Santos Cruz, ao lado de Mourão e do general Augusto Heleno, já designado para o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), poderia ajudar a blindar o presidente eleito de possíveis problemas.

Embora Onyx tenha sido o primeiro ministro anunciado por Bolsonaro, interlocutores do presidente eleito avaliam que seria “impossível” ele reunir a coordenação de governo com a articulação com Congresso.

O futuro ministro também não tem trânsito no Senado e por isso mesmo quer levar para o Planalto um conjunto de ex-parlamentares influentes para ajudá-lo. Uma das ideias será levar a atual senadora Ana Amélia (PP-RS), que deixa o Congresso em fevereiro. Ela foi candidata a vice-presidente na chapa do tucano Geraldo Alckmin, derrotado. 

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