Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro almoça com Toffoli e ministros após desfile enxuto de 7 de Setembro

Ministro do STF se despede da presidência da Corte nesta quinta-feira

Jussara Soares e Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2020 | 17h19
Atualizado 07 de setembro de 2020 | 18h54

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro participou de uma confraternização neste 7 de Setembro, feriado da Independência, com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e ministros do governo. O anfitrião do almoço foi o secretário especial de Assuntos Estratégicos, almirante Flávio Rocha, um dos mais próximos auxiliares do presidente e considerado uma figura conciliadora do no governo. No cardápio, arroz carreteiro, porco no rolete e costela. Piadas acompanharam, mas assuntos de trabalho ficaram de fora da conversa, segundo relatos feitos ao Estadão.

O convite de Rocha ocorreu justamente no momento em que o primeiro escalão diverge sobre gastos públicos na retomada econômica pós-pandemia. Nos últimos dias, as rusgas entre ministros se acentuam nos bastidores. Entre os participantes, estava o ministro da Economia, Paulo Guedes, que enfrenta desgaste no governo.

As reclamações que se estendem pela Esplanada e reverberam no Palácio do Planalto são de que o ministro da Economia e seus secretários tentam impor uma agenda sem considerar os cálculos políticos do próprio presidente, que já desenha a sua estratégia para o projeto da reeleição, em 2022.

Neste feriado, no entanto, as rusgas motivadas pelo trabalho foram deixadas de lado, segundo convidados do almoço.

Bolsonaro chegou às 12h20 no condomínio de casas no Jardim Botânico, bairro localizado a 16 km do Palácio da Alvorada. O presidente deixou o local por volta das 16h.

Também estiveram no local os ministros Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Tereza Cristina (Agricultura), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência), Fábio Faria (Comunicações) e Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União), além do secretário especial de Cultura, Mário Frias. O deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ) também passou pelo local.

Segundo um dos presentes, o encontro foi “descontraído”, “sem formalidades e com respeito e harmonia”. Um dos ministros presentes relatou que o almoço foi um “bate-papo de amigos”, sem espaço para assuntos de trabalho, mas com “muitas piadas”. 

A recepção de Rocha foi elogiada pelos convidados. No Instagram, o ministro Fábio Faria mostrou o cardápio. “Tá aqui o carreteiro. Olha essa costela, velho. Olha a porqueta”, disse.

O almoço do almirante, no entanto, não teve a oportunidade de apaziguar a relação mais difícil do governo no momento. Desafeto de Guedes por divergências sobre o teto de gastos, o ministro Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, estava em São Paulo.

De acordo com um integrante do governo, Toffoli não fez menção sobre sua saída da presidência do STF. Na próxima quinta-feira, dia 10, ele passa o bastão para Luiz Fux. Ao comentar na última sexta-feira a relação com o Palácio do Planalto, o presidente do Supremo disse que o diálogo com Bolsonaro sempre foi “franco e respeitoso”. 

Nos últimos meses, Bolsonaro fez uma série de ataques ao Supremo, responsabilizando a Corte pelas consequências da pandemia no quadro econômico – o tribunal entendeu que prefeitos e governadores têm autonomia para decretar medidas de enfrentamento do novo coronavírus, o que contrariou o Palácio do Planalto.

“Todo relacionamento que tive com o presidente Jair Bolsonaro e com seus ministros, nunca vi da parte dele nenhuma atitude deles contra a democracia. Tive um diálogo com ele intenso no sentido de manter a independência entre os Poderes e fazer ele compreender que cabe ao Supremo declarar inconstitucionais determinadas normas, porque essa é nossa função e a dele é respeitar e ele respeitou ao fim e ao cabo”, comentou Toffoli, em coletiva de imprensa para fazer um balanço de sua gestão.

Bolsonaro visita feira de adoção de cachorros

Antes do almoço com Toffoli e auxiliares, Bolsonaro visitou uma feira de adoção de cachorros montada em frente ao Palácio da Alvorada. A feira foi apoiada pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que também esteve no local pela manhã.

O projeto Abrigo Miau Aumigos compartilhou fotos da visita do presidente e da primeira-dama em suas redes sociais. Segundo os responsáveis pelo projeto, cinco adoções foram realizadas hoje.  Em junho, a primeira-dama anunciou que adotou um cachorro, resgatado nos fundos do Palácio do Planalto, mas dias depois teve que devolvê-lo ao descobrir que ele já tinha dono. O animal, que originalmente se chamava Zeus, chegou a ganhar o nome de Augusto Bolsonaro e um perfil no Instagram.

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