Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

‘Bolsonaro ainda vai pedir perdão para mim’, diz Miranda

Deputado que denunciou compra suspeita de Covaxin chegou à CPI com colete à prova de bala

Amanda Pupo e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2021 | 16h00

BRASÍLIA – Com colete à prova de bala e uma Bíblia na mão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) chegou ao Senado para depor à CPI da Covid afirmando que o presidente Jair Bolsonaro ainda irá “pedir perdão” a ele.

“Infelizmente, fizeram o que fizeram. Bolsonaro ainda vai pedir perdão para mim, eu tenho certeza, ele vai perceber que a equipe dele foi muito injusta”, disse o deputado a jornalistas.

Miranda explicou o motivo do atraso de seu irmão para chegar ao Senado. Luís Ricardo, servidor do Ministério da Saúde, viajou a trabalho com a equipe do ministério, mas foi “abandonado” na volta para Brasília.

“Ele foi abandonado pelos membros do Ministério da Saúde no aeroporto. Excluíram meu irmão da cerimônia. Foi lá para buscar as vacinas da Janssen. Teve que pegar avião comercial”, disse.

O deputado entrou no Senado usando colete à prova de bala um dia após protocolar um pedido de prisão por coação contra o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, e o assessor da Casa Civil Élcio Franco à CPI. No documento, Miranda alega ter sido vítima de ameaças feitas por Onyx e Elcio em entrevista concedida por eles para rebater as alegações do deputado e seu irmão, referentes a um esquema de corrupção para a compra da vacina indiana Covaxin.

A tropa de choque de Bolsonaro levou uma pilha de documentos para a CPU e promete desmontar a versão que responsabiliza o presidente por suspeitas na compra da vacina. O senador Marcos Rogério (DEM-RO) afirmou que o servidor Luís Ricardo cometeu “falta funcional” durante a negociação. “Ele sabia de tudo e mesmo assim insiste numa tese, numa linha acusatória e não procura aqueles a quem levou a informação errada para corrigir as falsas acusações”, disse o senador.

Na versão do governista, o deputado quis proteger o irmão ao ter afirmado que avisou Bolsonaro sobre irregularidades na compra das doses. “O conjunto dos documentos desmonta qualquer acusação”, afirmou Marcos Rogério.

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