Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

Bolsonaro agradece Collor por gratificação a militares e não cita nome de FHC

Bolsonaro discursou durante cerimônia de transmissão de posse do ministro da Defesa, no Clube do Exército, em Brasília

Julia Lindner e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2019 | 18h21

BRASÍLIA - Um dia após assumir o cargo, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a revogação da Medida Provisória 2215, de 2001, que, entre outras medidas, acabou com a promoção automática dos militares que passam para a reserva, o auxílio-moradia e o adicional de inatividade dos militares. Ao fazer apanhado histórico, Bolsonaro elogiou o ex-presidente Fernando Collor e se recusou a citar o nome de Fernando Henrique Cardoso.

Segundo Bolsonaro, as Forças Armadas foram esquecidas por algum tempo porque "são um obstáculo para aqueles que querem usurpar o poder". "Temos como herança desse governo, que citei agora há pouco, a MP 2215, que esperamos não deixar completar 19 anos", disse Bolsonaro. A MP foi sancionada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 31 de agosto de 2001.

Bolsonaro discursou durante cerimônia de transmissão de posse do ministro da Defesa, no Clube do Exército, em Brasília. Em sua fala, relembrou conquistas das Forças Armadas desde o período da redemocratização e chegou a agradecer o ex-presidente Fernando Collor, que estava presente na plateia, por sancionar lei que instituiu gratificação para os servidores militares das Forças Armadas. Para Bolsonaro, a lei reestruturou a carreira militar.

Também durante a posse, o novo ministro da Defesa, General Azevedo e Silva, defendeu a reavaliação da MP 2215.

Além de Collor, Bolsonaro também citou José Sarney e Itamar Franco. "Depois tivemos outro governo, que os senhores sabem qual foi, tivemos alguns problemas, vocês sabem qual foi, mas prosseguimos nossa jornada", afirmou, sem mencionar FHC e arrancando risadas da plateia composta por integrantes das Forças Armadas. 

O presidente abandonou a carreira militar na década de 1980, depois de responder por problemas disciplinares. Ele não fez menções aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer. 

Ele também declarou que a disciplina e o respeito farão do Brasil "uma grande nação". E destacou que tem feito escolhas técnicas para compor o governo, inclusive no Ministério da Defesa, destacando que a ingerência político-partidária levou à ineficiência e corrupção nas instituições.

Bolsonaro agradeceu, ainda, o trabalho do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, e a amizade de anos que tem com ele. "O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui", afirmou o presidente, durante a cerimônia de transmissão de cargo no Ministério da Defesa. 

Em abril, Villas Bôas se envolveu em uma polêmica ao fazer, na véspera do julgamento de um habeas corpus do ex-presidente Lula no Supremo Tribunal Federal (STF), um post no Twitter repudiando a "impunidade" e dizendo que o Exército estava "atento às missões institucionais".

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