José Dias/PR
José Dias/PR

Caso Marielle: Bolsonaro afirma que tem evidência de que ligação não foi feita para sua casa

Segundo o presidente, ele pediu ao filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), que buscasse os registros de chamadas do condomínio onde morava no dia do assassinato da vereadora Marielle Franco

Julia Lindner, enviada especial a Riad

30 de outubro de 2019 | 12h47

RIAD - Em seu último dia na Arábia Saudita, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que obteve uma evidência de que Elcio Queiroz, acusado de ser o motorista do carro em que estava o assassino de Marielle Franco, não ligou para a sua casa e não falou com ele no dia do assassinato da vereadora. Segundo o presidente, ele pediu ao filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), que buscasse os registros de chamadas do condomínio onde morava. Bolsonaro também disse que acionou o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para apurar a conduta dos investigadores do caso através do Ministério Público e voltou a acusar o governador do Rio, Wilson Witzel, de atuar “criminosamente” para envolvê-lo no inquérito. 

“O meu filho foi na portaria e pegou os registros de voz, inclusive para aquele horário onde foi feita a ligação. Não foi para a casa minha e a voz que se apresenta está muito longe de ser a minha”, disse Bolsonaro a jornalistas após participar de um evento do conselho de comércio da Arábia Saudita. 

Segundo depoimento do porteiro, Elcio teria entrado na portaria do condomínio no dia da morte de Marielle e registrado que iria à casa 58, onde mora Bolsonaro. O porteiro, então, teria pedido autorização na casa pelo interfone para liberar o visitante, e teria recebido aval do “seu Jair”. Há registros de que o então deputado federal estava na Câmara dos Deputados na ocasião. 

Bolsonaro voltou a acusar Witzel de atuar com a Polícia Civil para tentar incriminá-lo. “Tem um registro (de ligação), sim, para outra casa. Agora, nos surpreende a qualquer um a Polícia Civil, o delegado que está fazendo o inquérito ignorar isso e inventar um depoimento que, no meu entender, foi por ordem e determinação do senhor governador Witzel para tentar me prejudicar”, disse.

O presidente também afirmou que conversou nesta quarta com Sérgio Moro para que ele tome providências sobre o caso. “Conversei agora há pouco com o ministro da Justiça. Nós vamos tomar as providências, logicamente passando pela Procuradoria-Geral da República, para que sejam investigadas essas pessoas que fizeram com que em depoimentos constassem informações que apenas atrapalhavam o processo e visavam incriminar o presidente da República”, disse. 

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Para Bolsonaro, Witzel agiu “criminosamente” por interesse políticos. O presidente acusou o governador de ter tido acesso ao processo sigiloso e conduzi-lo da forma que queria. “Houve ato criminoso do governador do Rio de Janeiro, que tem intenções políticas, mas como não tem competência para aparecer no Brasil acaba atacando o atual presidente da república.”

Questionado se conhece Elcio Queiroz, com quem possui registros fotográficos, Bolsonaro disse que tirou fotos com centenas de policiais. 

Sobre a ameaça feita na terça-feira de que poderia não renovar a concessão da Rede Globo e de ato semelhante ter sido feito por Hugo Chávez em 2006, Bolsonaro reagiu: “Aqui não tem ditadura”. Em tom exaltado, ele falou que “qualquer renovação de concessão tem que cumprir a lei”. “Nunca, em nenhum momento, partiu ameaça a qualquer órgão de imprensa no Brasil”, afirmou. 

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