Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsonaro afirma que Onyx vai para a Secretaria-Geral

Presidente, no entanto, nega reforma ministerial e diz que ‘não é hora’ de mudanças ‘para atender interesses políticos’

Emilly Behnke e Daniel Galvão, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2021 | 21h12

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira, 8, que o atual ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, vai assumir o cargo de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. A mudança já era esperada e dada como certa por auxiliares do governo. Apesar da troca, o chefe do Executivo disse que “não existem” planos de realizar uma reforma ministerial para acomodar aliados. 

“Onyx vai para a Secretaria-Geral da Presidência”, declarou Bolsonaro em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, da Band. A mudança marcará o retorno de Onyx ao Palácio do Planalto – ele já ocupou a cadeira de ministro-chefe da Casa Civil. “Não existe isso (reforma ministerial)”, disse o presidente. Bolsonaro também rebateu críticas sobre ter negociado apoio de partidos do Centrão em troca de cargos no governo. “Não é hora de trocarmos ninguém aqui para atender interesses políticos.”

O presidente negou ainda ter liberado emendas parlamentares em busca de apoio de parlamentares. O chefe do Executivo lembrou que as emendas são “impositivas”. Apesar disso, é o governo federal quem decide quando liberar os recursos. Como mostrou o Estadão/Broadcast, em janeiro, mês anterior às eleições para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado, houve liberação recorde de emendas parlamentares.

Além disso, o Estadão revelou que R$ 3 bilhões em recursos extraorçamentários foram liberados para deputados e senadores, negociados diretamente pela Secretaria de Governo, comandada pelo ministro Luiz Eduardo Ramos. A destinação dos recursos foi uma das formas de o Planalto garantir apoio às candidaturas de Arthur Lira (PP-AL), eleito presidente da Câmara, e de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente escolhido no Senado.

Presidente nega demissão de Ernesto Araújo

Ainda na entrevista, Bolsonaro negou que esteja planejando substituir o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e disse que o chanceler tem “um bom relacionamento na área diplomática”. “Ele continua”, afirmou.

No fim de janeiro, o vice-presidente Hamilton Mourão declarou que Araújo poderia ser demitido após a eleição no Congresso. “Num futuro próximo, poderá ocorrer uma reorganização do governo para que seja acomodada a nova composição política que emergir desse processo. Talvez, nisso aí, alguns ministros sejam trocados, entre eles o MRE (ministro das Relações Exteriores)”, afirmou.

Questionado sobre a relação com Mourão, Bolsonaro disse ontem que “está tudo bem”.

Bolsonaro afirmou ainda que pretende manter “bom relacionamento” com o presidente Joe Biden. “Mandei uma carta para Joe Biden. Quando não tinha mais como recorrer, reconheci (a vitória do democrata).”

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