Bolsa Família não é esmola, diz Dilma

Em evento para comemorar os 10 anos do programa, presidente e Lula fazem discurso de combate aos críticos e petista diz que transferência de renda 'não acomoda, nem vicia'

Ricardo Brito e Ricardo Della Coletta - Agência Estado

30 de outubro de 2013 | 14h12

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira, 30, que o Bolsa Família "não é esmola" e "não acomoda" os beneficiários. "É emancipador porque transfere o poder ao cidadão", rebateu, durante evento de comemoração dos 10 anos do programa. Ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma dedicou boa parte de seu discurso ao combate às críticas da ação.

"O Bolsa Família não acomoda nem vicia, mostra que é possível superar a miséria", disse. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento Social, 36 milhões de brasileiros deixaram a situação de pobreza extrema nesse período. "O ódio [ao Bolsa Família] é um ódio anacrônico. Visão antiga e obscurantista", disse. Para a presidente, o diferencial do programa em relação às ações sociais anteriormente realizadas foi o fato de "mobilizar o conjunto do Estado" e por ter criado uma "tecnologia sofisticada" de erradicação da miséria.

O Bolsa Família foi criado em 2003, no primeiro ano do governo Lula. Para o PSDB, principal partido de oposição ao governo, o programa apenas unificou as ações já implantadas durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Durante sua fala, a presidente afirmou que o Bolsa Família substituiu programas de "baixa efetividade".

"Ao contrário do que ocorria durante muitos anos, a transferência de renda, por meio de cartão magnético, permitiu ao Bolsa Família romper com a longa tradição brasileira de programas assistencialistas e, na sua longa maioria, de baixa efetividade", disse a presidente.

Momentos antes, Lula, que falou por quase 40 minutos, também fez um discurso inflamado em desagravo ao programa. "Só quem nunca viu uma criança desnutrida poderia tentar desqualificar dessa forma o programa Bolsa Família", afirmou.

Para o ex-presidente, o programa integrou milhões de pessoas antes marginalizadas e que estavam apartadas do processo social. "O Bolsa Família, associado a políticas de valorização do salário e o acesso ao crédito, provou que era possível acabar com a fome", disse Lula. "Incomoda muita gente ver os pobres evoluírem", ironizou.

O programa atende atualmente a 13,8 milhões de famílias e o seu custo equivale a cerca de 0,5% do PIB brasileiro. O objetivo do governo federal é incluir outras 600 mil famílias. "O programa Bolsa Família, que completa 10 anos, é para acabar com uma injustiça de cinco séculos", afirmou Lula. / Colaborou Lilian Venturini

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