Bolsa Família maior tira da miséria menos de 10%

É o que representam as 500 mil famílias - de um universo de 5,4 milhões - que devem sair da extrema pobreza, com o reajuste anunciado por Dilma

Marta Salomon, de O Estado de S. Paulo

02 de março de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - O reajuste acima da inflação dos benefícios do Bolsa Família vai tirar da miséria cerca de 500 mil famílias cadastradas no programa de transferência de renda. Isso representa menos de 10% das famílias cadastradas no programa e que ainda não superaram a pobreza extrema.

 

A previsão oficial - considerada imprecisa, ainda, pela ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social) -, foi feita com base em informações tiradas do cadastro de famílias pobres. O mesmo cadastro informa que 5,4 milhões das famílias beneficiárias do Bolsa Família não haviam conseguido superar a extrema pobreza, apesar dos pagamentos mensais.

 

"Demos um primeiro passo", comentou a ministra, sobre uma das principais metas do governo Dilma Rousseff, de erradicar a miséria no país até 2014. Com o reajuste, o programa vai pagar entre R$ 32 e R$ 242 mensais. "Ninguém tem a expectativa de que esse aumento resolva a extrema pobreza. Não estamos trabalhando com uma meta fácil e ela não será alcançada apenas com transferência de renda", destacou.

 

Pelas regras do Bolsa Família, é considerada miserável a família com renda de até R$ 70 por pessoa da família. Antes do aumento, essas famílias recebiam um benefício básico de R$ 68 por mês, independentemente do número de filhos. O valor foi corrigido em 2,9% e subiu para R$ 70. A parcela paga pelo número de filhos até 15 anos subiu 45,5%, de R$ 22 para R$ 32. No benefício médio, a correção foi de 19,4%. Ou seja, ficou acima da inflação, acumulada em 9,9% desde o último reajuste.

 

O benefício médio, que passará a R$ 115 mensais, é pago a uma família extremamente pobre com dois filhos crianças, por exemplo. Na região metropolitana de Salvador, citou a ministra, a diferença é suficiente para pagar o consumo de arroz e feijão da família. Apenas 0,1% dos 12,9 milhões de famílias beneficiárias receberá o benefício máximo, de R$ 242.

 

Planalto bancou. "As famílias com maior número de filhos são as mais pobres", disse a ministra, para justificar a opção de aumento percentual maior da parcela do Bolsa Família paga com base no número de filhos (até três crianças e dois jovens). Nessa quarta-feira, 2, Tereza Campello contou que o reajuste maior do que a proposta original do ministério foi concedido por decisão de Dilma Rousseff. "A nossa proposta era mais tímida."

 

Segundo cálculos do ministério, o reajuste custará R$ 2,1 bilhões neste ano e cerca de R$ 2,8 bilhões no ano que vem. Tereza Campello revelou que o governo não cogita, por ora, fixar uma política de reajustes para o Bolsa Família, como se fez com o salário mínimo. "Não está nos nossos planos." No ano passado, por exemplo, os valores ficaram congelados. Não há previsão de um novo reajuste.

 

Decidida a não antecipar medidas em estudo para o plano de erradicação da miséria, a ministra comentou que pretende ver reduzido o número de beneficiários do programa à medida que os mais pobres encontrarem alternativas no mercado de trabalho. "Se o Brasil continuar crescendo como está e se formos eficientes, isso certamente vai acontecer", disse.

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