Bolívar Lamounier estranha proposta de anistiar Dirceu

O cientista político Bolívar Lamounier estranha a proposta de o Congresso anistiar o ex-ministro José Dirceu, que teve seu mandato de deputado federal cassado em dezembro de 2005. "Não sei o que pensar. Vão dar anistia para o Roberto Jefferson também?", ironizou, em entrevista à Agência Estado, referindo-se ao ex-presidente do PTB e autor da denúncia do mensalão, também cassado em 2005. Para Lamounier, uma lei congressual feita para apenas um indivíduo, pessoa física, seria algo atípico.Ele observou que o PT de São Paulo, base política de Dirceu e que originou outros escândalos como a tentativa de comprar com dinheiro de origem não esclarecida um dossiê contra o tucano José Serra, ficou mais forte com a eleição do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara. "Era justamente a parte do PT de que Lula queria se afastar", comentou Lamounier.A anistia do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu depende de um projeto de lei que precisa ser apresentado na Câmara. A proposta pode ser de um deputado apenas ou da sociedade - como planeja Dirceu. Caso a iniciativa seja da sociedade, o ex-ministro precisa de nada menos que 1,5 milhão de assinaturas, o que, segundo ele, lhe daria respaldo popular para voltar. De todo o jeito, o projeto de anistia precisa entrar na pauta e ser votado. Com a vitória de Chinaglia na presidência da Câmara, poderá ser mais fácil para Dirceu conseguir o ´perdão´ e retomar seus direitos políticos.De acordo com o cientista político, "teoricamente o governo Lula tem uma força imensa no Congresso pelo tamanho da base e por ter pessoas aliadas nas presidências da Câmara e do Senado (Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas)". No entanto, observou, "onde a teoria pode falhar é que o presidente tem que mostrar resultados". Ele citou que o anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) "não causou tanto impacto". Segundo o raciocínio de Lamounier, Lula "tem uns oito meses para mostrar algum tipo de resultado" para manter-se fortalecido no Congresso.Lamounier disse ainda que o presidente perdeu o pretexto para adiar a definição do Ministério depois das eleições dos presidentes da Câmara e do Senado, uma vez que já estão claras as forças políticas no Congresso. "Ele já está devendo. Foi eleito em outubro. Normalmente, o anúncio do Ministério seria feito ainda no ano passado", disse.

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