Boicote dos hospitais do Rio a transplantes será investigado

O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) abriu sindicância para investigar se os hospitais particulares do Rio pressionam seus médicos a não notificar casos de morte cerebral de pacientes. Os profissionais estariam sendo ameaçados de demissão, o que configura desrespeito ao código de ética médica. A falta de notificação ? que veio à tona no último fim de semana, quando um homem precisou levar a polícia ao Hospital São Lucas para conseguir receber um fígado ? seria causada pela desinformação dos hospitais, que não sabem que, por lei, quem paga pelas captações é o Sistema Único de Saúde (SUS). ?Há uma falha no programa do Rio Transplante (responsável pela captação no estado) porque as notificações realmente não estão sendo feitas?, afirmou o coordenador de Saúde Pública do Cremerj, Vivaldo Lima Sobrinho. A sindicância levará um mês. Caso seja constatado que os hospitais estão ferindo o código de ética, os médicos responsáveis poderão receber punições desde advertência, censura pública, suspensão do exercício profissional até cassação do registro. Os hospitais que adotam a prática poderão ser fechados. O Hospital São Lucas, que fica na zona sul, será investigado pelo Cremerj. A própria direção da unidade já declarou que não tem costume de notificar as mortes cerebrais ? embora seja obrigado a fazê-lo por lei. Segundo portaria de janeiro do ano passado, no momento em que a família do doador autoriza a doação do órgão, o SUS assume as despesas da captação. No entanto, os hospitais particulares não estão informados sobre isso, conforme relata Carlos Varaldo, presidente do Grupo Otimismo e membro da Comissão de Acompanhamento do Rio Transplante, que denunciou o Hospital São Lucas. ?Estranhamente, o Rio Transplante nunca divulgou a lei. Alguém está boicotando o sistema de captação?, afirmou Varaldo. O coordenador do Rio Transplante, Roberto Chabo, afirmou que o estado não estaria cadastrado no Ministério da Saúde para receber a verba para a captação e transplante de órgãos. Já segundo o coordenador do Sistema Nacional de Transplantes, Alberto Beltrami, o Rio está credenciado. Para ele, o problema é a falta de articulação da entidade fluminense para a captação e transplante dos órgãos.

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