Boicotado por tucanos, Alckmin fecha com PTB

Só 1 dos 12 vereadores prestigiou formalização de aliança eleitoral

Elizabeth Lopes, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2008 | 00h00

Sem a presença do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e de 11 dos 12 vereadores da bancada tucana na Câmara Municipal, o pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, formalizou ontem a aliança com o PTB e o PSDC. O acordo prevê a vaga de vice na chapa para o PTB. A aliança garante ao tucano cerca de 5 minutos de propaganda eleitoral no rádio e na TV.No evento, o presidente do Diretório Municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, mandou um recado aos dissidentes que apóiam a manutenção da aliança com o DEM e a candidatura do prefeito Gilberto Kassab à reeleição: "É preciso cerrar fileiras em torno do nosso candidato Alckmin, precisamos ter espírito de fidelidade, disciplina partidária e respeito à hierarquia."O pré-candidato procurou minimizar a ausência de Serra na solenidade. "Na realidade, a campanha começa no dia 6 de julho. Tenho conversado com o Serra, inclusive na segunda-feira passada voltamos juntos do Rio e conversamos das questões práticas da campanha", disse, sem entrar em detalhes.O presidente estadual do PTB, deputado Campos Machado, cotado para vice de Alckmin, disse que a aliança abre a possibilidade de a legenda apoiar a eventual candidatura Serra à Presidência, em 2010. Machado destacou que o presidente do PTB, Roberto Jefferson, considerou o apoio ao PT, nas eleições de 2004 e 2006, como "um ato falho, um desatino": "Ele está muito satisfeito com o apoio ao PSDB em São Paulo."Ao comentar a ausência dos vereadores tucanos - apenas Tião Farias compareceu -, Machado avisou: "O PTB marchará unido com Alckmin e não haverá a mais leve traição de nossos vereadores." O presidente do PSDC, José Maria Eymael, também falou em apoio irrestrito ao tucano e classificou Alckmin de "grande líder".Já Lobo frisou que "coligação não se faz apenas com vistas a ganhar tempo na TV", em crítica indireta ao leque de alianças fechado por Kassab, que dá ao prefeito o maior tempo de propaganda no rádio e na TV.O PTB e o PSDC compareceram em peso. Já o PSDB participou com os aliados do ex-governador, como o líder da legenda na Câmara, José Aníbal, o deputado federal Edson Aparecido, o deputado estadual Bruno Covas, o ex-secretário de Segurança Pública do Estado Saulo de Castro, o presidente do Diretório Estadual paulista, Mendes Thame, dentre outros.Apesar do anúncio oficial do acordo, Alckmin e Machado evitaram falar se a aliança será majoritária ou proporcional. O PSDB ofereceu a vaga de vice ao PTB, mas ainda não atendeu à reivindicação dos petebistas de fechar uma aliança proporcional, o que incluiria na campanha de Alckmin os vereadores dessa legenda.Essa questão é mais uma polêmica que alimenta a dissidência dos 12 vereadores tucanos. O secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, um dos maiores defensores da aliança com o DEM, afirma que, se a coligação for proporcional, os tucanos que concorrem à Câmara Municipal poderão ser prejudicados, perdendo vagas para petebistas.PESQUISASobre a última pesquisa Datafolha, veiculada anteontem, que o coloca em situação de empate técnico com a ministra Turismo, Marta Suplicy(PT), o tucano comemorou: "Eu sou o único que não tenho cargo, não tenho governo, não tenho mídia. O povo é muito fiel." Alckmin aparece no levantamento com 29% das intenções de voto, um ponto atrás da petista. Kassab tem 15%, o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) obteve 8% e Luiza Erundina (PSB), 5%.

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