Boeing fará oferta 'sem precedente' à FAB, diz Shannon

Em setembro passado, governo enunciou sua pré-escolha dos concorrentes Rafale, da Dassault

Denise Chrispim Marin, da Agência Estado,

04 de fevereiro de 2010 | 18h31

Ao entregar mesta quinta-feira suas credenciais de embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon reforçou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a escolha do caça F18 Super Hornet da Boeing, na concorrência aberta pela Força Aérea Brasileira (FAB), envolverá uma oferta de transferência de tecnologia "sem precedente" e a elevação do grau de confiança de Washington para com Brasília. "A oferta americana não tem paradigma. Isso demonstra a nossa confiança no Brasil", afirmou, horas depois da cerimônia, em entrevista à imprensa. "Estamos dispostos a dar passos com o Brasil que, no passado, não pudemos dar."

 

Aos jornalistas, Shannon sustentou sua expectativa de que a Boeing ainda possa ser a escolhida nas declarações dos ministros Celso Amorim, das Relações Exteriores, e de Nelson Jobim, da Defesa. Ontem, ambos negaram que a francesa Dassault tivesse vencido a concorrência por ter reduzido em US$ 2 bilhões o valor total de venda dos 36 jatos requeridos pela FAB, como foi noticiado pela Folha de S. Paulo.

 

Indiretamente, Shannon concordou que a "franqueza é sempre bem-vinda na diplomacia" e que essa premissa não foi observada no processo de escolha dos caças da FAB. Por duas vezes durante a entrevista, insistiu que a concorrência tem caráter estritamente comercial e que um resultado desfavorável à Boeing não afetará as relações de amizade e de aliança de seu país com a França ou a Suécia. Mas não chegou a incluir o Brasil nessa pequena lista.

 

Indicado para a embaixada no Brasil pelo presidente dos EUA, Barack Obama, em maio de 2009, Shannon obteve o necessário aval do Senado americano para assumir o posto somente no final de dezembro passado. Ontem, passou a atuar oficialmente como embaixador em Brasília ao entregar as cartas credenciais ao presidente Lula. Como seu antecessor, Clifford Sobel, deixara o País em agosto passado, boa parte do lobby americano em favor dos jatos de combate da Boeing foi prejudicada ao longo dos últimos seis meses.

 

"A relação Brasil-EUA é importante demais para que a ausência do embaixador americano venha a atrapalhar. Mas essa ausência não ajudou", admitiu Shannon.

 

Em setembro passado, o governo brasileiro enunciou sua pré-escolha dos concorrentes Rafale, da Dassault. No mesmo mês, o Comando da Aeronáutica entregou a Jobim um relatório no qual apontara sua preferência pelos caças Gripen, da companhia sueca Saab. Em uma escala, a FAB havia colocado o F18 Super Hornet no segundo lugar e o Rafale, no terceiro e último.

 

Essa hierarquia foi omitida em um segundo relatório entregue pela Aeronáutica em dezembro passado. O documento poderá balizar a escolha final do presidente Lula, prevista ainda para este mês. A Boeing, entretanto, reativou nas últimas semanas seu lobby e sua aposta na atuação de Shannon para mudar a decisão de Lula em seu favor. Nas próximas semanas, o governo americano promoverá uma demonstração real das habilidades do F18 no Rio Janeiro, durante uma operação conjunta das Armadas dos dois países. Para tanto, o porta-aviões Carl Vinson, da Quarta Frota, se deslocará do Haiti para o Brasil. "O Super Hornet é um bom produto e merece a atenção do governo do Brasil", defendeu.

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