Boeing admite transferir só parte da tecnologia

Diretor da empresa vê 'com estranheza' transferencia irrestrita e diz ter medo de promter e não poder cumprir

Agência Estado,

16 de setembro de 2009 | 13h34

O vice-presidente da divisão de produtos da Boeing Integrated Defense Systems, Robert Gower, admitiu na terça-feira, 15, em São Paulo, que a empresa americana não oferecerá transferência de tecnologia irrestrita na disputa pela venda de caças à Força Aérea Brasileira (FAB). O modelo em questão, o F-18 Super Hornet, concorre com o francês Rafale, da Dassault, e o sueco Gripen, da Saab.

 

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"Não é uma carta branca, é fruto de um acordo entre pessoas maduras. A Aeronáutica define, em contrato, em que ponto quer a transferência e nós o fazemos. Mas gostaríamos que o Brasil tivesse um status de parceria próximo ao oferecido pelos Estados Unidos à Inglaterra", explicou Gower. Ou seja, o Brasil seria uma espécie de sócio privilegiado dos EUA, com status acima de outros compradores, como Alemanha, França e Japão.

Após a indicação do governo de que havia preferência pelo jato francês, o Congresso americano aprovou, sob pressão do presidente Barack Obama, o que intitulou de "transferência de tecnologia necessária". Já os franceses falam em transferência irrestrita. "Vimos isso com estranheza. Fica pouco claro o que significa exatamente acesso irrestrito. Tomamos cuidado para não prometer algo que não possamos cumprir", disse Gower, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O valor da proposta não foi revelado, mas o diretor Mike Coggins assegurou que é inferior ao da França. "Estamos revendo a proposta e melhorando." A Boeing prevê gerar 5 mil empregos no Brasil, enquanto os franceses falam em 16 mil, o que Coggins ironizou. "Não sabemos de onde saiu o número." O primeiro F-18 seria montado nos EUA, em 2014, e os outros no Brasil, a partir de 2015. "A opção é do governo, até porque fica caro montar a linha de fabricação", disse Coggins.

 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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